O PASSADO
Alan Pauls
Cosac Naify
Romance argentino
R$ 55,00
O fim do amor é o tema deste romance do argentino Alan Pauls (1959), "um dos melhores escritores latino-americanos vivos", nas palavras de outro autor latino-americano, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003).
Depois de doze anos de casamento, Rímini e Sofía têm de encarar a separação e aprender a lidar com o que ficou para trás. O que fazer com as centenas de fotos - momentos congelados, mas ainda pulsantes, de uma história viva - que jazem em duas grandes caixas de papelão? Mas o passado não passa e torna-se um pesadelo, um incômodo, uma aflição.
Os diversos filmes evocados no livro, como Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, e A história de Adèle H, de François Truffaut, inspiraram o projeto gráfico que por meio de fotografias de cenas e de objetos nos remete às lembranças do casal protagonista.
Para o escritor Reinaldo Moraes, autor da quarta capa do livro, a prosa de Pauls que faz "o tempo recuar ou se dispersar em outras dimensões, numa operação ao mesmo tempo lúdica e rigorosa, lembra um Proust que tivesse lido Cortázar".
Em 2003, a obra recebeu o prestigioso prêmio Herralde concedido para livros de ficção em língua espanhola.
CASA DE ENCONTROS
Martin Amis
Tradução: Rubens Figueiredo
Cia das Letras
Romance inglês
R$ 39,50
Em Casa de Encontros, Martin Amis se vale de recursos ficcionais para revelar dimensões obscuras do totalitarismo. O livro narra o acerto de contas de um velho russo com um passado que ainda o assombra. Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, ele esteve confinado durante mais de dez anos num campo de trabalhos forçados na Sibéria, acusado de traição política. Quase cinqüenta anos depois, rico e repatriado nos Estados Unidos, ele volta ao país de origem e numa extensa carta à enteada revive o tempo de provação.
No centro do relato estão seu meio-irmão, Lev, preso no mesmo campo, e Zoya, dona dos atributos físicos mais disputados de Moscou. Feio, gago, pacifista, Lev é o antípoda do narrador, cuja índole pragmática e violenta mostra-se determinante para a sobrevivência de ambos no gulag. Foi ao mais frágil, contudo, que Zoya preferiu entregar-se definitivamente e, depois de anos presos, é ele quem ela vai visitar na Casa de Encontros, como era chamado o local reservado para visitas íntimas. Os efeitos desse reencontro sobre os três personagens são decisivos - e é de seus desdobramentos que trata este livro.
Os pormenores da vida no gulag sobrepõem-se às linhas gerais do terrorismo de Estado, e o panorama sociológico dá lugar aos dados da observação meticulosa do narrador: o périplo de um oficial sem mãos para acender um cigarro, os códigos tácitos entre os prisioneiros, os laivos de solidariedade fraterna, a exaltação às formas femininas. Em foco estão as contradições de um sujeito capaz de naturalizar o ambiente de opressão ao redor - e um triângulo amoroso em luta para se constituir.
CIDADE E OS CACHORROS
Mario Vargas Llosa
Objetiva
Romance peruano
R$ 43,90
Romance que revelou ao mundo o talento literário de Mario Vargas Llosa no início dos anos 60, A Cidade e os Cachorros é considerado hoje um clássico da literatura latino-americana. História de fundo autobiográfico, sua história se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes – experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.
Vindos de todos os pontos do Peru, a maioria de origem humilde, com seus próprios problemas familiares e inseguranças, os jovens internos retratados neste romance são obrigados a sobreviver em meio a um ambiente brutal e hostil, onde a justiça quase nunca prevalece e os superiores, apesar de rígidos com a disciplina, mal sabem o que ocorre nos alojamentos.
Seus diferentes relatos compõem uma história perturbadora. Para compô-la, Vargas Llosa desenvolveu uma narrativa em que o passado se entrelaça ao presente e os dramas de seus personagens são descritos de diferentes pontos de vista.
HOMENS E NÃO
Elio Vittorini
Tradução: Maria Helena Arrigucci
Texto de orelha: Davi Arrigucci Jr.
Romance italiano
R$ 40,00
Elio Vittorini (1908-1966) é um dos maiores escritores da literatura italiana ao lado de nomes como Italo Calvino e Natalia Ginzburg. Sempre muito engajado politicamente, esse siciliano de Siracusa lutou arduamente conta o fascismo na Itália.
Esta obra é provavelmente o primeiro romance da Resistência e testemunha a tentativa do autor de conciliar a urgência da realidade, de ater-se aos fatos para recontar a luta cruel e fatal, e - ao mesmo tempo - investigar as almas com paixão, com uma visada de poeta.
A invenção do "espectro-escritor", que interrompe a narrativa e tece comentários em texto em itálico, no interior dos capítulos, constitui um espaço de meditação lírica semelhante aos coros da tragédia grega.
No livro, o leitor acompanha os passos do protagonista Ene 2 em sua missão de liderar um comando partigiano na Milão ocupada pelos nazistas, durante o inverno de 1944.
Vittorini também escreveu Conversa na Sicília (Cosac Naify, 2002), outro livro que registra sua aversão ao fascismo e tornou-se uma das grandes obras-primas da literatura italiana no século XX.
TODAS AS COSMICÔMICAS
Italo Calvino
Tradução: Roberta Barni, Ivo Barroso
Cia das Letras
Literatura italiana
R$46,00
Todas as cosmicômicas resulta da reunião de dois livros que Italo Calvino publicou na década de 1960: As cosmicômicas (1965; Companhia das Letras, 1992) e T = 0 (1967). São narrativas que começam com um enunciado científico (ou pseudocientífico) sobre as origens do universo e dos planetas e outros temas do passado cósmico remoto para dar, em seguida, a palavra ao personagem central de todas elas, que tem o palindrômico e impronunciável nome de Qfwfq. Ele é testemunha ocular da história de bilhões de anos do universo, presente desde o momento do big bang, onde tudo estava reunido num único ponto e a falta de espaço era absolutamente incômoda, e que assiste angustiado ao afastamento das galáxias, sofre grandes paixões na época em que a Lua se distanciava da Terra, joga bocha com átomos, sente ciúmes enquanto cai no vácuo, é expelido por uma erupção do Vesúvio e vive a patética experiência de ser o último dinossauro vivo.
O livro inclui outros textos que Calvino chamou de "contos dedutivos", nos quais o narrador parece mais interessado em examinar as ramificações de uma idéia do que em contar uma história, desenvolvendo uma espécie de raciocínio obsessivo, paranóico e labiríntico não estranho a certos textos de Kafka. O conjunto destes textos reafirma mais uma vez a posição de Calvino como um dos grandes exploradores dos novos caminhos da narrativa e um dos maiores clássicos do século XX.
MARCO GIANNOTTI
Nelson Brissac Peixoto (org.)
Textos: Lorenzo Mammì, Alberto Tassinari, Vinicius de Figueiredo, Gilles-Gaston Granger, Tadeu Chiarelli, Paulo Sergio Duarte e Luiz Costa Lima
R$65,00
Este livro, organizado por Nelson Brissac Peixoto, apresenta séries de pinturas de Marco Giannotti, inclusive a mais recente delas, Passagens, que sintetiza as questões essenciais que sempre acompanharam o artista: a força construtiva da cor e o papel da pintura na configuração da espacialidade contemporânea.
As imagens da publicação percorrem a produção de Giannotti desde 1980 - época na qual ele pintou seus primeiros quadros - e demonstram, nas palavras do organizador do volume, "o contínuo e persistente embate de um dos artistas mais coerentes de sua geração com o poder e os limites da pintura".
Além da apresentação de Brissac em um caderno especial, impresso em papel kraft e intercalado entre as imagens das obras, a edição conta com textos de importantes autores, entre críticos e historiadores da arte.
GOYA
Robert Hughes
Tradução: Tuca Magalhães
Cia das Letras
Crítica de arte
R$ 85,00
Autor de livros consagrados sobre a história da Austrália, da cidade de Barcelona e sobre o movimento da arte moderna, o crítico de arte Robert Hughes volta agora seu olhar para uma das figuras mais fortes e enigmáticas dos anais da arte: Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828).
Hughes narra a vida do pintor espanhol, entrelaçando-a com as diferentes fases de sua produção artística, contra o pano de fundo do contexto histórico em que viveu: a transição do século XVIII para o XIX. A Espanha ainda era um grande império colonial e resistia, com a ajuda da Inquisição, às idéias iluministas e libertárias vindas de outros países da Europa, sobretudo da França.
A análise iluminadora de Hughes põe diante do leitor, em toda a sua formidável estatura, o homem e o artista, expondo as estratégias de Goya para manter a liberdade de criação numa época intensamente repressiva. A obra é analisada passo a passo, dos primeiros trabalhos comissionados pela Igreja, passando pela extensa produção do pintor oficial da Corte, até as obscuras e enigmáticas Pinturas negras, as últimas do artista isolado pela surdez.
Emerge um artista complexo: o funcionário público servil e dedicado à família real (que apesar disso teve de fugir para o exílio no fim da vida); o mestre dos retratos; o observador meticuloso de costumes, gestos e classes; o pintor satírico e indignado, crítico da guerra, da injustiça e da Inquisição; e o amargo cronista da loucura e da morte violenta.
Biografia interpretativa e épico cultural, Goya articula as múltiplas facetas do pintor e seu contexto histórico, mostrando um artista de transição que soube assimilar as lições dos neoclássicos, dos românticos e dos retratistas ingleses e desenvolver um estilo próprio e surpreendente. Nas palavras de Hughes, "uma verdadeira figura de articulação, o último do que estava acontecendo e o primeiro do que estava por vir".
Vidas de César
Suetônio/Plutarco
Ed. Estação Liberdade
História
Trad. e notas:
Antonio da Silveira Mendonça
Ísis Borges da Fonseca
Português – Latim – Grego
R$ 41,00
'Vidas de César' nos traz duas biografias do imperador romano escritas por dois autores da Antigüidade. Reunidas num mesmo volume e em edição trilíngüe - português, grego e latim -, o leitor tem agora a oportunidade de conhecer uma das figuras mais controversas da História. O primeiro texto, 'O divino Júlio', é de autoria do romano Suetônio. A partir de uma minuciosa consulta a documentos, o autor aborda sem disfarces aspectos mundanos da vida de um imperador tornado quase uma divindade. Ao contrapor homem e estadista, esquiva-se de falsos moralismos e evita os perigos da bajulação numa época marcada pelo surgimento de lideranças despóticas. Já a obra 'César', do grego Plutarco, faz uma abordagem mais filosófica do que propriamente histórica. Em seu texto há a mesma preocupação com as fontes, no entanto, nota-se um grande esforço de observação de um universo alheio ao pensamento helenista.
Em louvor da sombra
Junichiro Tanizaki
Cia das Letras
Estética japonesa
R$ 27,00
Neste ensaio, escrito em 1933, Junichiro Tanizaki discorre acerca da arquitetura, do teatro, da comida e do vestuário tradicionais do Japão, abordando inclusive o tom de pele dos japoneses. Ao sugerir uma concepção de beleza própria dos orientais, Tanizaki revela a predileção de sua cultura pela penumbra, pelo mistério e pela profundidade. Escrito num estilo ao mesmo tempo coloquial e elegante, o ensaio analisa os aspectos característicos da cultura nipônica, pressionados pela modernidade tecnológica e pela influência dos hábitos ocidentais na sociedade japonesa. Tanizaki critica a iluminação artificial em restaurantes, teatros e hotéis. Para o autor, a beleza do teatro Nô também se perde num palco iluminado por refletores. Segundo ele, a maquiagem tradicional das mulheres japonesas realçava a beleza feminina na penumbra, e a culinária nacional perde apetência se servida em pratos claros e não em utensílios de laca. Tanizaki empreende uma meditação que se revela uma verdadeira teoria estética em torno da concepção japonesa do belo.
Bem-vindo à Rato de Livraria! O melhor da literatura nacional e internacional. Compras pelo fone 11 3569-7882 ou pelo email: ratodelivraria@uol.com.br. Venha conhecer nossa loja: rua do Paraíso, 790 - Metrô Paraíso. São Paulo/SP
03 abril 2007
10 fevereiro 2007
Um livro que toda pessoa deveria ter em casa

Cinco Séculos a Papel e Tinta
Pedro Corrêa do Lago
Edições Afrontamento
287 págs.
Capa dura, encadernada com sobrecapa
Formato grande, livro de arte, com fotografias e ilustrações
Papel couché
R$ 190,00 (parcelamos em até 3 vezes)
Cartas, manuscritos, desenhos, dedicatórias, fotografias assinadas, os documentos reproduzidos neste livro revelam centenas de episódios da maior parte das personalidades mais conhecidas dos últimos cinco séculos: dos Reis Católicos aos Beatles, Rafael, Casanova, Lautrec, Mata Hari, Proust, Rasputin, Einstein, Gandhi, Pessoa, Disney ou Garbo. Apresentadas de forma original, o leitor descobrirá, como se as tivesse entre mãos, as cartas de Freud a sua mãe, de Napoleão a Talleyrand, de Flaubert a Hugo ou ainda de Trotski a Frida Kahlo.
Encomende este livro pelo email ratodelivraria@uol.com.br, ou pelo fone 11 3266-4476.
Consulte entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.
Pedro Corrêa do Lago
Edições Afrontamento
287 págs.
Capa dura, encadernada com sobrecapa
Formato grande, livro de arte, com fotografias e ilustrações
Papel couché
R$ 190,00 (parcelamos em até 3 vezes)
Cartas, manuscritos, desenhos, dedicatórias, fotografias assinadas, os documentos reproduzidos neste livro revelam centenas de episódios da maior parte das personalidades mais conhecidas dos últimos cinco séculos: dos Reis Católicos aos Beatles, Rafael, Casanova, Lautrec, Mata Hari, Proust, Rasputin, Einstein, Gandhi, Pessoa, Disney ou Garbo. Apresentadas de forma original, o leitor descobrirá, como se as tivesse entre mãos, as cartas de Freud a sua mãe, de Napoleão a Talleyrand, de Flaubert a Hugo ou ainda de Trotski a Frida Kahlo.
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Pra quem não conhece Rosalía de Castro

FOLHAS NOVAS - 1880
1 - VAGUIDADES
IV
direis destes versos, e é verdade,
que tem estranha insolita harmonia,
que neles as ideias brilham palidas
qual errantes faiscas
qu´estalam por instantes,
que logo desaparecem,
que s'eassemelham à neblina incerta
que volteja no fundo dos quintais,
e ao sussuro monotono dos pinheiros
do beira-mar bravio.
eu apenas vos direi que os meus cantares
saem assim confusos d'alma minha,
como sai profundos carvalhais
ao comecar o dia,
rumor que nao se sabe
se é brincadeira das brisas,
se sao beijos de flores,
se sao agrestes, misteriosas harmonias
que neste mundo triste
o caminho do ceu buscam perdidas.
Versos extraídos do livro "A Rosa dos Claustros".
A Rosa dos Claustros
Rosalía de Castro
Ed. Crisálida
Poesia galela
Ed. bilíngue
R$ 28,00
Encomende este livro pelo email ratodelivraria@uol.com.br, ou pelo fone 3266-4476.
16 janeiro 2007
Dois livros pra Rato de Livraria nenhum botar defeito

Raízes históricas do Conto maravilhoso
Vladimir Propp
Crítica literária
Ed. Martins Fontes
Propp define os estudos do folclore como uma disciplina histórica, mas lhes aplica uma variedade de métodos que lhe permite chegar a uma visão de conjunto das narrativas folclóricas e mitos.
R$ 65,10
Afeto autoritário
Renato Janine Ribeiro
Sociologia - televisão
Ateliê Editorial
Ensaios sobre televisão, ética e democracia escritos para a revista Bravo!, entre outros veículos da grande imprensa.
De R$ 27,00 por R$ 24,00
Faça sua encomenda por fone 3266-4476 ou pelo e-mail ratodelivraria@uol.com.br
Entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.
Para outras regiões, consulte nossa tabela de entregas.
04 janeiro 2007
Começar o ano com Manuel Bandeira

ÁGUA-FORTE
O preto no branco,
O pente na pele:
Pássaro espalmado
No céu quase branco.
Em meio do pente,
A concha bivalve
Num mar de escarlata.
Concha, rosa ou tâmara?
No escuro recesso,
As fontes da vida
A sangrar inúteis
Por duas feridas.
Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.
Este poema foi extraído do livro "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", de Manuel Bandeira, editado recentemente pela CosacNaify. Capa dura. 96 págs. Inclui CD com os poemas. R$ 55,00.
Caso queira encomendar este livro, ligue para 11 3266-4476, ou mande um email para ratodelivraria@uol.com.br
04 novembro 2006
Literaturas africanas de língua portuguesa
Foi lançado o livro Marcas da diferença, que trata das literaturas africanas de língua portuguesa.
Com cuidado editorial primoroso da Alameda, a obra traz textos de renomados estudiosos da matéria, como Rita Chaves e Tânia Macedo, que também organizaram o livro.
Os ensaios põem em relevo características essenciais da produção de escritores africanos e têm como eixo os contextos resultantes da longa dominação colonial.
São abordados os diferentes gêneros literários a partir da ótica de estudiosos de Angola, França, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Marcas da diferença
Rita Chaves
Tania Macedo
Alameda Editorial
372 págs.
R$ 58,00
Em tempo: foi lançado recentemente o livro Luuanda - Estórias, de José Luandino Vieira, pela Companhia das Letras.
A obra é composta por três contos que trazem de volta ao leitor brasileiro uma das grandes vozes da literatura africana de expressão portuguesa. Em decorrência da luta contra a dominação portuguesa em Angola, José Luandino Vieira, português de nascimento, escreveu boa parte de sua obra na prisão. Luuanda, de 1963, integra uma obra narrativa que, em 2006, foi agraciada com o Prêmio Camões. O autor, alegando "razões pessoais e íntimas", se recusou a recebê-lo.
Luuanda - Estórias
José Luandino Vieira
Companhia das Letras
138 págs.
R$ 34,00
Encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou pelo email ratodelivraria@uol.com.br
Entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.
Com cuidado editorial primoroso da Alameda, a obra traz textos de renomados estudiosos da matéria, como Rita Chaves e Tânia Macedo, que também organizaram o livro.
Os ensaios põem em relevo características essenciais da produção de escritores africanos e têm como eixo os contextos resultantes da longa dominação colonial.
São abordados os diferentes gêneros literários a partir da ótica de estudiosos de Angola, França, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Marcas da diferença
Rita Chaves
Tania Macedo
Alameda Editorial
372 págs.
R$ 58,00
Em tempo: foi lançado recentemente o livro Luuanda - Estórias, de José Luandino Vieira, pela Companhia das Letras.
A obra é composta por três contos que trazem de volta ao leitor brasileiro uma das grandes vozes da literatura africana de expressão portuguesa. Em decorrência da luta contra a dominação portuguesa em Angola, José Luandino Vieira, português de nascimento, escreveu boa parte de sua obra na prisão. Luuanda, de 1963, integra uma obra narrativa que, em 2006, foi agraciada com o Prêmio Camões. O autor, alegando "razões pessoais e íntimas", se recusou a recebê-lo.
Luuanda - Estórias
José Luandino Vieira
Companhia das Letras
138 págs.
R$ 34,00
Encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou pelo email ratodelivraria@uol.com.br
Entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.
31 outubro 2006
Arte na Pinacoteca e na Rato
León Ferrari
Retrospectiva. Obras 1954-2006
Andréa Giunta (ed.)
Ed. CosacNaify
464 págs.
Arte
R$ 120,00
Este livro foi realizado por ocasião da retrospectiva de León Ferrari no Centro Cultural Recoleta, em novembro de 2004, com o apoio do Malba, Buenos Aires. A versão brasileira, lançada durante a bienal de arte, e concomitante à exposição do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo (outubro a novembro de 2006), foi ampliada com um levantamento exaustivo das mais de quinhentas obras produzidas durante os catorze anos que o artista viveu em São Paulo, e ainda com a repercussão crítica da polêmica gerada pela exposição no Recoleta.
Edição bilíngüe
Encomendas por email ratodelivraria@uol.com.br ou por fone 3266-4476.
Entrega gratuita para o centro expandido de São Paulo.
18 outubro 2006
Literatura Japonesa Contemporânea


Mil Tsurus
Yasunari Kawabata
Romance japonês
171 págs.
29,80
A cerimônia do chá é utilizada neste livro para ambientar a história de Kikuji Mitani, um jovem que reencontra duas das ex-amantes de seu falecido pai e que subitamente se vê envolvido com elas. O livro se passa em plena reconstrução do Japão devastado pela Segunda Guerra, em meio à ocidentalização de seus valores. Kawabata mais uma vez esbanja profundo conhecimento da antiga cultura japonesa e enaltece a arte oriental, representada nas cerâmicas seculares do ritual do chá e nas alegorias singelas dos elementos tradicionais de seu país.
Kyoto
Yasunari Kawabata
Romance japonês
256 págs.
37,50
A obra retrata a história de duas irmãs gêmeas, que foram separadas quando bebês, durante o período do pós-guerra, e criadas em ambientes hierarquicamente distintos. Após um reencontro imprevisto das irmãs, a obra descreve um singelo processo de reaproximação entre as duas. O livro tem como pano de fundo a vida dos comerciantes de quimonos, que entraram em falência devido ao período pós-guerra. Fabuloso retrato da antiga capital imperial do Japão, sinuoso como as ruelas da região têxtil de Nishijin e delicado como as estampas florais dos quimonos tradicionais, o livro traz a marca de um autor considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa contemporânea, e também ganhador do Nobel.
encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou por email ratodelivraria@uol.com.br
13 outubro 2006
Dostoiévski como poucos já viram

A senhoria
Fiódor Dostoiévski
Em 20 de outubro de 1846, Dostoiévski escrevia a seu irmão: "Todos os meus planos foram por água abaixo e ruíram por si mesmos... Abandonei tudo [que estava escrevendo], já que isso não passava de uma repetição de coisas velhas. Agora idéias mais originais, vivas e luminosas brotam de mim no papel... Estou escrevendo outra novela, e o trabalho vai de vento em popa, está saindo com facilidade e frescor, como nunca..."
A novela a que Dostoiévski se referia com tamanho entusiasmo era A senhoria, que viria à luz no ano seguinte. Ao contrário de suas expectativas, entretanto, Bielínski – o mais influente crítico literário da época – tratou a obra como um disparate, fruto da "fantasia mirabolante" do autor.
De fato, as inovações que Dostoiévski introduziu com relação ao foco narrativo – bem como a trama que liga o intelectual e sonhador Ordínov à figura misteriosa de Katierina – permaneceram totalmente incompreendidas em seu tempo. Só no século XX, uma nova geração de leitores iria reconhecer neste livro, escrito quando o autor tinha 26 anos, uma obra-prima que antecipa Memórias do subsolo (1864) e seus grandes romances da maturidade.
Pela primeira vez em tradução direta do russo, A senhoria conta, nesta edição, com 14 xilogravuras de Paulo Penna e um esclarecedor posfácio de Fátima Bianchi, no qual a tradutora reconstitui o conturbado ambiente literário da época, destacando a atualidade da contribuição de Dostoiévski.
"Uma vez conquistado pelo clima intrincado e movediço da narrativa, o leitor percebe que está diante de uma obra-prima." (Paulo Bezerra)
Tradução, posfácio e notas de Fátima Bianchi
Gravuras de Paulo Camillo Penna
144 p.
De R$ 29,00 por R$ 24,65
Encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou pelo e-mail ratodelivraria@uol.com.br
oferta válida até 21 de outubro, ou enquanto durarem nossos estoques
05 outubro 2006
Luiz Ruffato no Território da Rato

“Como Vanim acabou ajduntando os trapos com a Zazá, ninguém não sabe, em tudo diferentes. Ele, andejo, violão sob o braço, engraçando-se para os lados do mulherio, despreconceituoso: mulher-dama, menina-moça, respeitável senhora casada; empregada da fábrica, estudante do Colégio das Irmãs, dona-de-casa; feia, bonita, arremediada. Em súmula, Vanim, o garganta galanteador, paixonou com a Zazá, direita criatura...”
Este trecho é o início de um dos capítulos finais de O Mundo Inimigo, segundo volume de Inferno Provisório, um romance instigante, de Luiz Ruffato. A obra é finalista do Prêmio Portugal Telecom 2006.
Dia 10 de outubro, próxima terça-feira, às 19h30, o escritor participará de um bate-papo com os companheiros de arte Moacyr Godoy Moreira e David Oscar Vaz, no Território Nacional na Rato de Livraria.
Não deixe de prestigiar. Entrada franca.
O Mundo Inimigo
Volume II de Inferno Provisório
Luiz Ruffato
Record
R$ 25,90
Mamma, Son Tanto Felice
Volume I de Inferno Provisório
Luiz Ruffato
Record
R$ 25,90
Pedidos pelo fone 3266-4476 ou pelo e-mail ratodelivraria@uol.com.br
Entrega gratuita no centro expandido de São Paulo
02 outubro 2006
Lendas do Brasil - Coquetel de lançamento

Rato de Livraria e Odysseus Editora convidam para o lançamento do livro Lendas do Brasil, que ocorrerá neste sábado, dia 07 de outubro, das 15h às 18h.
Haverá contação de histórias para crianças e sessão de autógrafos da autora Blandina Franco.
Entrada gratuita.
Rato de Livraria
r. do Paraíso, 790
Metrô Paraíso
3266-4476
28 setembro 2006
Lançamento fantástico, literalmente

Histórias fantásticas
Adolfo Bioy Casares
CosacNaify
Contos argentinos – ficção
Trad. José Geraldo Couto
301 págs.
Capa dura.
De 46,00 por 41,00
Entrega gratuita
Resenha
Quarta capa do livro (Por Daniel Galera)
Catorze relatos em que as regras do mundo convencional são sutilmente deformadas, dando um toque de mistério a narrativas que englobam paixão e tristeza, morte e a vida eterna, o cotidiano e o sobrenatural, alusões mitológicas e os limites não muito precisos da ciência. Há indícios de Poe, Conrad e Borges nestas histórias fantásticas, mas há acima de tudo a prosa elegante e a imaginação erudita de Adolfo Bioy Casares, um mestre em articular o fascínio da Antiguidade com as questões que afligem a civilização moderna.
Faça seu pedido por e-mail ou por fone: ratodelivraria@uol.com.br - 11 3266-4476.
Formas de pagamento: cheque, dinheiro ou depósito em conta-corrente no HSBC.
27 setembro 2006
Aula de História da Arte Grega

Pintura/Cerâmica
21 de outubro - das 11h às 13h.
Descobrindo o cotidiano através das obras de arte
25 de novembro - das 11h às 13h.
SEMPRE AOS SÁBADOS
Por Dani Nastari, experiente arte-educadora, Artista Plástica formada pela Faap.
Atualmente Dani trabalha na Exposição “Deuses gregos – Coleção do Museu Pergamon de Berlim”
Investimento
R$ 10,00
Inscreva-se com antecedência, vagas limitadas.
As aulas são avulsas e independentes.
RATO DE LIVRARIA
literalmente mais livraria
r. Paraíso, 790 – metrô Paraíso
f. 11.3266.4476
e. ratodelivraria@uol.com.br
25 setembro 2006
O que vai rolar no Chá Esotérico no sábado
Nos séculos XII e XIII floresceu no sul da França uma cultura excepcionalmente rica, que se caracterizava pela igualdade entre homens e mulheres, menores diferenças sociais e maior liberdade de expressão. Isso ocorreu mediante a influência de uma comunidade espiritual cujos membros eram conhecidos como “bons homens” ou “perfeitos”. Eles praticavam o puro amor cristão e levavam a todos sua mensagem de paz e seu auxílio como médicos do corpo e da alma.
“Seu templo? A abóboda celeste, um teto para a chuva e uma pedra plana revestida por uma toalha de linho branco puro, para receber o Evangelho de João, o Bem Amado.”
Acompanhe na Rato de Livraria, neste sábado, 15h00, a palestra “Os Cátaros e o caminho do Santo Graal”, pela Editora Rosacruz.
O evento também trará um bate-papo sobre tarô e feira de livros esotéricos com superdescontos.
Entrada Franca
Rua Paraíso, 790
Metrô Paraíso
3266-4476
“Seu templo? A abóboda celeste, um teto para a chuva e uma pedra plana revestida por uma toalha de linho branco puro, para receber o Evangelho de João, o Bem Amado.”
Acompanhe na Rato de Livraria, neste sábado, 15h00, a palestra “Os Cátaros e o caminho do Santo Graal”, pela Editora Rosacruz.
O evento também trará um bate-papo sobre tarô e feira de livros esotéricos com superdescontos.
Entrada Franca
Rua Paraíso, 790
Metrô Paraíso
3266-4476
23 setembro 2006
Fotos do Sarau Concurso




Acima, o trio vencedor de Poesia: Davi Aragão,Débora Tavares,Élcio Roefero; Logo abaixo: Mario Fioretti, Dalton Almeida, Marcelo Pinotti, ganhadores na categoria Prosa. Veja mais fotos no link ao lado.
21 setembro 2006
Segundo lugar Poesia - A paixão segundo a paixão
para C.L.
Num quarto escuro de significações
as palavras vagueiam em penosa procura.
Pergunto ao eco vazio: será tempo de morangos?
Em negros sonhos de amor
um dizer grita em silêncio,
não por causa da barata e sua matéria branca
nem pela geléia viva que transborda o inominável,
mas pelo estremecer incômodo de pés nus
que padecem do frio que corta em fio
em harmonia sutil
do encontro abismal da inaudível sinfonia de Clarice.
Clarice,
teus olhos rasgados fitam-me
da parede branca do quarto
...
é madrugada
e os apitos dos navios no canal
avisam-me da urgência de tuas palavras
Foi pela rosa que antecedeu a loucura?
Foi pela moça bíblica perdida na cidade feita contra ela?
Foram os restos de um carnaval longínquo?
Foi a dor do livro que demorou a chegar-te?
Quem saberá?
Nas horas do dia que se abre
Ouço o tic-tac dos teus dedos que passeiam
na pequena máquina adormecida em teu colo...
em foto amarelada pelo tempo
um cão negro dorme em teu calor
em outra
respiras de olhos fechados
um ar de resignação e saudade
Pergunto, então, num instante-já entre o dizível e o indizível
entre a travessia do abismo e a travessia do oposto
entre a alegria de ler-te e o fascínio de mordiscar inutilmente a tua placenta,
Estamos, ainda, em tempo de morangos?
Ilhabela, 23 de julho de 2004.
Por Élcio Luís Roefero
Num quarto escuro de significações
as palavras vagueiam em penosa procura.
Pergunto ao eco vazio: será tempo de morangos?
Em negros sonhos de amor
um dizer grita em silêncio,
não por causa da barata e sua matéria branca
nem pela geléia viva que transborda o inominável,
mas pelo estremecer incômodo de pés nus
que padecem do frio que corta em fio
em harmonia sutil
do encontro abismal da inaudível sinfonia de Clarice.
Clarice,
teus olhos rasgados fitam-me
da parede branca do quarto
...
é madrugada
e os apitos dos navios no canal
avisam-me da urgência de tuas palavras
Foi pela rosa que antecedeu a loucura?
Foi pela moça bíblica perdida na cidade feita contra ela?
Foram os restos de um carnaval longínquo?
Foi a dor do livro que demorou a chegar-te?
Quem saberá?
Nas horas do dia que se abre
Ouço o tic-tac dos teus dedos que passeiam
na pequena máquina adormecida em teu colo...
em foto amarelada pelo tempo
um cão negro dorme em teu calor
em outra
respiras de olhos fechados
um ar de resignação e saudade
Pergunto, então, num instante-já entre o dizível e o indizível
entre a travessia do abismo e a travessia do oposto
entre a alegria de ler-te e o fascínio de mordiscar inutilmente a tua placenta,
Estamos, ainda, em tempo de morangos?
Ilhabela, 23 de julho de 2004.
Por Élcio Luís Roefero
20 setembro 2006
Resultado do Sarau Concurso e Textos
Confira neste post o resultado e os comentários do Júri sobre os textos concorrentes.
Nas postagens mais abaixo, acompanhe os textos vencedores, e no link ao lado esquerdo veja demais textos participantes.
Vencedores Categoria Poesia
Primeiro lugar
“Cerrada”
Débora Tavares
Segundo lugar
“A paixão segundo a paixão”
Élcio Luís Roefero
Menção honrosa
“Visões”
Davi de Aragão Santos
Vencedores Categoria Prosa
Primeiro lugar
“O olho esquerdo”
Marcelo Pinotti Maluf
Segundo lugar
“Pilotos do Paraíso”
Dalton Lucas Cunha de Almeida
Menção honrosa
“Sem volta”
Mario Sergio Fioretti
Comentários gerais do Júri sobre os textos concorrentes:
Observou-se que nos textos, tanto de prosa como de poesia, houve certa recorrência de bons temas, porém faltou, na maioria dos casos, um desenvolvimento mais aprimorado das idéias.
É certo dizer que diversos trabalhos apresentaram momentos interessantes de humor. Alguns poemas, em particular, como “Lição de geometria”, demonstraram nítida excelência técnica.
A sensibilidade das idéias aliada ao amor pela poesia também teve destaque nos textos participantes, porém há uma recomendação para que linguagem e originalidade sejam mais trabalhadas daqui por diante.
Um conselho simples, repetindo o que já foi dito no domingo, é continuar escrevendo, lendo, relendo, reescrevendo. Principalmente a releitura e os “cortes” devem ser observados. Vários textos excederam-se no “discurso” e, infelizmente, faltou “poesia”.
Textos como “Barroco contraditório” e “O melhor poema do mundo” despertaram o interesse da platéia, e isso por si só já é uma boa notícia.
O Júri também destaca a importância de se atentar para o excesso de adjetivos empregados. Um bom caminho para aprimorar esse problema, bem como para evitar lugares-comuns, é observar os textos considerados clássicos da literatura e perceber sua concisão, linguagem, estilo, a organicidade da obra.
O Júri parabeniza a todos e incentiva os participantes para continuar trabalhando, burilando seus poemas, contos e crônicas, sempre nesse franco diálogo com o papel e as letras.
O Júri
Marcelino Freire, Mariana Ianelli e Vanderley Mendonça.
Nas postagens mais abaixo, acompanhe os textos vencedores, e no link ao lado esquerdo veja demais textos participantes.
Vencedores Categoria Poesia
Primeiro lugar
“Cerrada”
Débora Tavares
Segundo lugar
“A paixão segundo a paixão”
Élcio Luís Roefero
Menção honrosa
“Visões”
Davi de Aragão Santos
Vencedores Categoria Prosa
Primeiro lugar
“O olho esquerdo”
Marcelo Pinotti Maluf
Segundo lugar
“Pilotos do Paraíso”
Dalton Lucas Cunha de Almeida
Menção honrosa
“Sem volta”
Mario Sergio Fioretti
Comentários gerais do Júri sobre os textos concorrentes:
Observou-se que nos textos, tanto de prosa como de poesia, houve certa recorrência de bons temas, porém faltou, na maioria dos casos, um desenvolvimento mais aprimorado das idéias.
É certo dizer que diversos trabalhos apresentaram momentos interessantes de humor. Alguns poemas, em particular, como “Lição de geometria”, demonstraram nítida excelência técnica.
A sensibilidade das idéias aliada ao amor pela poesia também teve destaque nos textos participantes, porém há uma recomendação para que linguagem e originalidade sejam mais trabalhadas daqui por diante.
Um conselho simples, repetindo o que já foi dito no domingo, é continuar escrevendo, lendo, relendo, reescrevendo. Principalmente a releitura e os “cortes” devem ser observados. Vários textos excederam-se no “discurso” e, infelizmente, faltou “poesia”.
Textos como “Barroco contraditório” e “O melhor poema do mundo” despertaram o interesse da platéia, e isso por si só já é uma boa notícia.
O Júri também destaca a importância de se atentar para o excesso de adjetivos empregados. Um bom caminho para aprimorar esse problema, bem como para evitar lugares-comuns, é observar os textos considerados clássicos da literatura e perceber sua concisão, linguagem, estilo, a organicidade da obra.
O Júri parabeniza a todos e incentiva os participantes para continuar trabalhando, burilando seus poemas, contos e crônicas, sempre nesse franco diálogo com o papel e as letras.
O Júri
Marcelino Freire, Mariana Ianelli e Vanderley Mendonça.
Vencedor Prosa - O OLHO ESQUERDO
Um lagarto estava no canto da sala. Os olhos atentos no movimento dos meus passos. Se pudesse haver comunicação entre nós certamente eu pediria a ele que se retirasse, em paz. No entanto, mal consigo me comunicar com os meus pares. Como seria a voz de um lagarto se ele falasse? Quando criança eu me lembro que os animais tinham vozes e comunicar-me com eles não era algo tão difícil assim, podia até saber o que pensavam.
Eu não poderia mantê-lo em minha casa. Na casa do meu pai. Meu pai que odiava os animais. Meu pai que havia matado três gatos e uma andorinha. Há três meses que o velho havia falecido. O que é que um lagarto come? Poderia domesticá-lo. Quem sabe ele me seria útil contra os possíveis invasores. Quem sabe se tornasse um companheiro e me salvasse da solidão. Nunca acreditei mesmo nessa besteira de que os cães é que são os melhores amigos dos homens. Meu pai também detestava os cães, “só sabem babar, latir, comer e cagar”, era o que ele dizia.
O lagarto mantinha a mesma posição e mirava os olhos no retrato do meu velho pai, pendurado recentemente na parede. Com agilidade rastejou até a pequena moldura e fixou-se ali, em cima da fotografia.
Os olhos inchados do bicho lembravam os olhos inchados do meu pai. O corpo enrugado do bicho lembrava as rugas do meu pai. Como é que surgira em minha casa aquele lagarto? De onde viera rastejando? O rabo balançava espalhando o pó acumulado de três meses sem faxina. No canto da sala, uma velha espingarda pareceu-me uma solução rápida para, se não matar, pelo menos espantar a criatura.
Meu pai limpava aquela arma toda semana e fazia questão de deixá-la carregada. “Para qualquer necessidade”, ele justificava. Talvez tivesse chegado o momento da tal “necessidade” de que falava o velho, pois nunca ouvi o som do disparo daquela espingarda, que para mim não passava de um objeto de decoração.
O lagarto permanecia imóvel sobre o retrato, de modo a deixar visíveis apenas os olhos e a testa do meu pai. Mirava-me. Seguia-me. Investigava-me. Peguei a arma, apontei para o corpo do animal. Tinha os dedos tremendo no gatilho. Não conseguiria matá-lo; ele poderia ser um bicho de estimação. Os olhos inchados do meu pai no retrato me encheram de coragem e cólera. Disparei. Caí no chão com o tranco do disparo. A bala quebrou o vidro do pequeno quadro e atingiu o olho esquerdo da imagem. O lagarto, assustado, rastejou para a rua, ileso.
Não fosse pelo caminhão a surpreendê-lo no asfalto ele ainda estaria vivo, dividindo comigo o espaço da casa do meu pai.
Por Marcelo Maluf
Eu não poderia mantê-lo em minha casa. Na casa do meu pai. Meu pai que odiava os animais. Meu pai que havia matado três gatos e uma andorinha. Há três meses que o velho havia falecido. O que é que um lagarto come? Poderia domesticá-lo. Quem sabe ele me seria útil contra os possíveis invasores. Quem sabe se tornasse um companheiro e me salvasse da solidão. Nunca acreditei mesmo nessa besteira de que os cães é que são os melhores amigos dos homens. Meu pai também detestava os cães, “só sabem babar, latir, comer e cagar”, era o que ele dizia.
O lagarto mantinha a mesma posição e mirava os olhos no retrato do meu velho pai, pendurado recentemente na parede. Com agilidade rastejou até a pequena moldura e fixou-se ali, em cima da fotografia.
Os olhos inchados do bicho lembravam os olhos inchados do meu pai. O corpo enrugado do bicho lembrava as rugas do meu pai. Como é que surgira em minha casa aquele lagarto? De onde viera rastejando? O rabo balançava espalhando o pó acumulado de três meses sem faxina. No canto da sala, uma velha espingarda pareceu-me uma solução rápida para, se não matar, pelo menos espantar a criatura.
Meu pai limpava aquela arma toda semana e fazia questão de deixá-la carregada. “Para qualquer necessidade”, ele justificava. Talvez tivesse chegado o momento da tal “necessidade” de que falava o velho, pois nunca ouvi o som do disparo daquela espingarda, que para mim não passava de um objeto de decoração.
O lagarto permanecia imóvel sobre o retrato, de modo a deixar visíveis apenas os olhos e a testa do meu pai. Mirava-me. Seguia-me. Investigava-me. Peguei a arma, apontei para o corpo do animal. Tinha os dedos tremendo no gatilho. Não conseguiria matá-lo; ele poderia ser um bicho de estimação. Os olhos inchados do meu pai no retrato me encheram de coragem e cólera. Disparei. Caí no chão com o tranco do disparo. A bala quebrou o vidro do pequeno quadro e atingiu o olho esquerdo da imagem. O lagarto, assustado, rastejou para a rua, ileso.
Não fosse pelo caminhão a surpreendê-lo no asfalto ele ainda estaria vivo, dividindo comigo o espaço da casa do meu pai.
Por Marcelo Maluf
Segundo Lugar Prosa - Pilotos do Paraíso
Após incessantes esforços finalmente uma gorda gota d’água se formou na parede de pedra, imediatamente escorrendo até o chão, onde pode reiniciar seu trabalho de infiltração, sob o olhar atento de Sean Gun.
Que logo ao lado, dedilhava suas aparentes costelas animadamente, como outrora lembrava bem, dedilhara longos pianos de cauda, em "fumacentas" tabernas.
Assim que a gota se perdeu próxima à parede, Gun voltou-se a tremulante platéia de coqueiros que não muito longe, além da grade de alta janela, nunca desanimavam em sua dança.
-Hei Gun, acho que vc desafinou.Disse Happy Job, operador de rádio, que deitado a um canto, observava uma antiga foto e ria do colega.
-Que nada, a culpa não é minha, o problema é da marca do instrumento, mas a platéia não reclamou, não é?Sorriu o piloto, que continuou, agora sério.- Imagino que vc tenha ouvido que um navio acaba de atracar?
Happy Job, apenas fez que sim com a cabeça, e manteve o silencio, até que a porta da masmorra fosse aberta abruptamente, e um corpo fosse jogado no monte de palha mais próximo.Pouco depois, Job verificou o corpo deitando-o descentemente.
-Ainda está molhado, seu avião deve ter caído a pouco tempo, imagino que a invasão que esperamos há seis meses esteja a caminho.
-Também Job, e teremos de fazer como planejado.Muito embora, ficar aqui passando frio nesse buraco, possa ser convidativo.Sorriu o capitão, cobrindo o piloto desmaiado com um cobertor.
Ao cair da noite, ambos homens iniciaram a fuga planejada, desmontando silenciosa e cuidadosamente as pedras previamente soltas da parede apodrecida do antigo forte francês, tendo feito em duas horas o que a água não conseguira em séculos.
Terminada a obra, saíram rastejando pela areia Job,Gun e o agora acordado e seco tenente Stubborn Man, deixando para trás um pequeno buraco e um sentinela escondido, que os observava fugir, sem se preocupar.
Ao nascer do sol, os três homens exaustos, concluíram ao encontrar pela quarta vez o mesmo coqueiro que deviam descansar, sentaram-se assim cada qual com pedra e coco, na alva areia, deixando-se a observar o mar de águas cristalinas e a carcaça de um belo caça Thunderbold, que se destacava afundado a poucos passos da margem da praia.
-O que faremos Gun, essa ilha é ainda menor do que me pareceu do avião, a circulamos umas mil vezes durante a noite e não encontramos nenhum barco, ela está isolada, e se adentrarmos em direção a vila seremos pegos e presos, talvez até mortos!Disse Job, que esmurrava o coco com uma pedra lisa demais para tal trabalho.
-Exato, já quase morri a pouco, não quero arriscar a sorte.Resmungou Stub, dando um largo sorriso ao obter sucesso com o coco, sob o olhar invejoso de Job.
-Acalmem-se, tudo dará certo, só temos que destruir esse maldito grupo de antiaéreas da ilha, e arranjarmos um barco para sair daqui, imagino que existam pescadores, deverão estar aqui pela noite.
Com isso os três sentados esperaram ver uma barco que fosse, e assim o fizeram por todo o dia, sempre atentos a inevitável patrulha de resgate que deveria procura-los, e sempre estando prontos a enfurnarem-se o quanto antes nas pequenas matas da ilha.
Mas nada aconteceu, e por todo o dia, tudo que fizeram foi aproveitar a vista, comer cocos e tomar sol, usurpando a paz que bem sabiam, como soldados eram pagos para eliminar e se admirando com o espetáculo natural que enegreciam e destruíam no dia a dia com bombas e incêndios.
A segunda noite foi tão calma como a primeira, e todos dormiram, inclusive Job, que deveria ficar de guarda, o que de certa forma foi um alivio e intrigou os homens que esperavam alguma reação visto a conhecida eficiência dos soldados japoneses em seu dever.
Pela manhã, arriscaram uma aproximação a vila a cerca de meio quilometro da praia, e foram claramente ignorados pela população e até pelos cachorros, que aparentemente sentiam de longe o cheiro desagradável de vestes estragadas e apodrecidas, mantendo-se à distância.
Retornaram pouco depois e se banharam na foz de um pequeno riacho, comeram ainda mais cocos e alguns peixes que na vazão da maré haviam ficado presos em pequenos laguinhos nas pedras.Job e Stub terminavam de se vestir, quando uma velha senhora se aproximou com um cesto, baixou-o à frente deles e se foi, deixando em caridade roupas, água e pães.
-Se soubesse desse tratamento maravilhoso e dessa vista espetacular já teria fugido a tempos. Disse Job mastigando um pedaço de pão.- É uma pena que tudo isso vá pelos ares muito antes de qualquer desembarque, se é que haverá algum, se bem conheço o Almirante ele vai destruir tudo só por desencargo de consciência.
-Desencargo de consciência? Essa é muito boa, esse homem é mesmo doido.Riu-se o Tenente.-Mas é uma pena mesmo, até que gosto daqui, a vista pelo menos é maravilhosa, e foi por causa de fotos incomparavelmente menos belas que isto que escolhi a Guerra no Pacífico a na Europa, e como imaginei, a água aqui é fresca e não congelante.
Os dois oficiais riam alegremente, quando Gun aproximou-se carregando uma sacola.
- Olá garotas, bom saber que estão se divertindo.Olhou-os forçando seriedade, enquanto forçavam constrangimento. –Consegui explosivos no paiol do forte, agora entendo por que aquele lugar esta tão silencioso, não ha ninguém lá, e pelo que descobri na cidade ao enquadrar um soldado local foi que não há nenhum japonês por aqui, e como só mandaram que cuidassem de nós na cela, como estamos livres e as ordens não se aplicam, querem mais nós nos “explodamos”.
-Imagino que queira ir destruir as antiaereas agora?Perguntou-lhe Job tristemente.
-Não, deixemos para mais tarde. Disse o capitão pegando um pedaço de pão e a garrafa de água. Sorrindo em resposta aos sorrisos dos outros dois.
Assim passaram-se as horas, e toda outra noite descontraída, noite de conversas sobre tudo, mas principalmente de o que fazer naquela ilha caso não houvesse barcos tão cedo, pois aparentemente não havia pescadores, chegando todos a um consenso unânime, o de que fosse o que fosse não teriam problemas e até preferiam.
Pela manhã uma coluna de fumaça aparecera no horizonte, e um avião de reconhecimento sobrevoou a distância, os três acordaram alarmados, e correram em direção as antiaéreas estranhamente vazias.Observando o oceano, viram navios japoneses em fuga, perceberam que o bombardeio estava próximo, e o porque da ilha vazia de soldados.
A batalha requisitara a todos, e eles haviam sido retirados.
Ao longe viram dois grupos de avião se aproximando, e o som de seus motores já perceptíveis, entreolharam-se e observaram as bombas instaladas nas antiaéreas, por um instante reinou apenas aquele som tão familiar, tão esperado, tão conhecido, e em seguida tudo que fizeram foi arrancar as cargas explosivas desesperadamente, em uma ação natural e sem planejamento. A essa altura o som estava ainda mais alto, era inevitável, essa ilha paradisíaca tão pequena seria destruída. Cada homem se posicionou em uma antiaérea, fez sua prece silenciosa e disse a si abrindo fogo em sua própria gente.
-Este Paraíso não!!!
Por Dalton Almeida
Que logo ao lado, dedilhava suas aparentes costelas animadamente, como outrora lembrava bem, dedilhara longos pianos de cauda, em "fumacentas" tabernas.
Assim que a gota se perdeu próxima à parede, Gun voltou-se a tremulante platéia de coqueiros que não muito longe, além da grade de alta janela, nunca desanimavam em sua dança.
-Hei Gun, acho que vc desafinou.Disse Happy Job, operador de rádio, que deitado a um canto, observava uma antiga foto e ria do colega.
-Que nada, a culpa não é minha, o problema é da marca do instrumento, mas a platéia não reclamou, não é?Sorriu o piloto, que continuou, agora sério.- Imagino que vc tenha ouvido que um navio acaba de atracar?
Happy Job, apenas fez que sim com a cabeça, e manteve o silencio, até que a porta da masmorra fosse aberta abruptamente, e um corpo fosse jogado no monte de palha mais próximo.Pouco depois, Job verificou o corpo deitando-o descentemente.
-Ainda está molhado, seu avião deve ter caído a pouco tempo, imagino que a invasão que esperamos há seis meses esteja a caminho.
-Também Job, e teremos de fazer como planejado.Muito embora, ficar aqui passando frio nesse buraco, possa ser convidativo.Sorriu o capitão, cobrindo o piloto desmaiado com um cobertor.
Ao cair da noite, ambos homens iniciaram a fuga planejada, desmontando silenciosa e cuidadosamente as pedras previamente soltas da parede apodrecida do antigo forte francês, tendo feito em duas horas o que a água não conseguira em séculos.
Terminada a obra, saíram rastejando pela areia Job,Gun e o agora acordado e seco tenente Stubborn Man, deixando para trás um pequeno buraco e um sentinela escondido, que os observava fugir, sem se preocupar.
Ao nascer do sol, os três homens exaustos, concluíram ao encontrar pela quarta vez o mesmo coqueiro que deviam descansar, sentaram-se assim cada qual com pedra e coco, na alva areia, deixando-se a observar o mar de águas cristalinas e a carcaça de um belo caça Thunderbold, que se destacava afundado a poucos passos da margem da praia.
-O que faremos Gun, essa ilha é ainda menor do que me pareceu do avião, a circulamos umas mil vezes durante a noite e não encontramos nenhum barco, ela está isolada, e se adentrarmos em direção a vila seremos pegos e presos, talvez até mortos!Disse Job, que esmurrava o coco com uma pedra lisa demais para tal trabalho.
-Exato, já quase morri a pouco, não quero arriscar a sorte.Resmungou Stub, dando um largo sorriso ao obter sucesso com o coco, sob o olhar invejoso de Job.
-Acalmem-se, tudo dará certo, só temos que destruir esse maldito grupo de antiaéreas da ilha, e arranjarmos um barco para sair daqui, imagino que existam pescadores, deverão estar aqui pela noite.
Com isso os três sentados esperaram ver uma barco que fosse, e assim o fizeram por todo o dia, sempre atentos a inevitável patrulha de resgate que deveria procura-los, e sempre estando prontos a enfurnarem-se o quanto antes nas pequenas matas da ilha.
Mas nada aconteceu, e por todo o dia, tudo que fizeram foi aproveitar a vista, comer cocos e tomar sol, usurpando a paz que bem sabiam, como soldados eram pagos para eliminar e se admirando com o espetáculo natural que enegreciam e destruíam no dia a dia com bombas e incêndios.
A segunda noite foi tão calma como a primeira, e todos dormiram, inclusive Job, que deveria ficar de guarda, o que de certa forma foi um alivio e intrigou os homens que esperavam alguma reação visto a conhecida eficiência dos soldados japoneses em seu dever.
Pela manhã, arriscaram uma aproximação a vila a cerca de meio quilometro da praia, e foram claramente ignorados pela população e até pelos cachorros, que aparentemente sentiam de longe o cheiro desagradável de vestes estragadas e apodrecidas, mantendo-se à distância.
Retornaram pouco depois e se banharam na foz de um pequeno riacho, comeram ainda mais cocos e alguns peixes que na vazão da maré haviam ficado presos em pequenos laguinhos nas pedras.Job e Stub terminavam de se vestir, quando uma velha senhora se aproximou com um cesto, baixou-o à frente deles e se foi, deixando em caridade roupas, água e pães.
-Se soubesse desse tratamento maravilhoso e dessa vista espetacular já teria fugido a tempos. Disse Job mastigando um pedaço de pão.- É uma pena que tudo isso vá pelos ares muito antes de qualquer desembarque, se é que haverá algum, se bem conheço o Almirante ele vai destruir tudo só por desencargo de consciência.
-Desencargo de consciência? Essa é muito boa, esse homem é mesmo doido.Riu-se o Tenente.-Mas é uma pena mesmo, até que gosto daqui, a vista pelo menos é maravilhosa, e foi por causa de fotos incomparavelmente menos belas que isto que escolhi a Guerra no Pacífico a na Europa, e como imaginei, a água aqui é fresca e não congelante.
Os dois oficiais riam alegremente, quando Gun aproximou-se carregando uma sacola.
- Olá garotas, bom saber que estão se divertindo.Olhou-os forçando seriedade, enquanto forçavam constrangimento. –Consegui explosivos no paiol do forte, agora entendo por que aquele lugar esta tão silencioso, não ha ninguém lá, e pelo que descobri na cidade ao enquadrar um soldado local foi que não há nenhum japonês por aqui, e como só mandaram que cuidassem de nós na cela, como estamos livres e as ordens não se aplicam, querem mais nós nos “explodamos”.
-Imagino que queira ir destruir as antiaereas agora?Perguntou-lhe Job tristemente.
-Não, deixemos para mais tarde. Disse o capitão pegando um pedaço de pão e a garrafa de água. Sorrindo em resposta aos sorrisos dos outros dois.
Assim passaram-se as horas, e toda outra noite descontraída, noite de conversas sobre tudo, mas principalmente de o que fazer naquela ilha caso não houvesse barcos tão cedo, pois aparentemente não havia pescadores, chegando todos a um consenso unânime, o de que fosse o que fosse não teriam problemas e até preferiam.
Pela manhã uma coluna de fumaça aparecera no horizonte, e um avião de reconhecimento sobrevoou a distância, os três acordaram alarmados, e correram em direção as antiaéreas estranhamente vazias.Observando o oceano, viram navios japoneses em fuga, perceberam que o bombardeio estava próximo, e o porque da ilha vazia de soldados.
A batalha requisitara a todos, e eles haviam sido retirados.
Ao longe viram dois grupos de avião se aproximando, e o som de seus motores já perceptíveis, entreolharam-se e observaram as bombas instaladas nas antiaéreas, por um instante reinou apenas aquele som tão familiar, tão esperado, tão conhecido, e em seguida tudo que fizeram foi arrancar as cargas explosivas desesperadamente, em uma ação natural e sem planejamento. A essa altura o som estava ainda mais alto, era inevitável, essa ilha paradisíaca tão pequena seria destruída. Cada homem se posicionou em uma antiaérea, fez sua prece silenciosa e disse a si abrindo fogo em sua própria gente.
-Este Paraíso não!!!
Por Dalton Almeida
Menção Honrosa Prosa - "Sem volta"
A janela estava apenas encostada, foi fácil entrar. Entrou silenciosamente no quarto e sentiu a temperatura mais quente, diferente do ar frio da manhã do lado de fora. Sentia-se um pouco cansado e com uma leve tensão, ofegando silenciosamente.
O marido dela já havia saído com o filho, sabia disso, e ela estava sozinha em casa agora. E dormia profundamente. Ele aproximou-se da cama e começou a observá-la de perto, cuidadosamente. Ainda ontem ele estava descansando um pouco, na varanda da casa de uma conhecida, no primeiro andar de uma rua comercial muito movimentada, quando a viu passar, vestindo uma camiseta azul celeste, cor que ele gostava. Usava um bracelete de cobre. Chamou sua atenção o cabelo preto bem liso, cortado na altura dos ombros, pele clara, nariz de desenho reto. Os olhos castanhos claros, quase cor de mel foi o que mais o agradou. Imediatamente, e pouco racional, ele concordaria, desceu até a calçada para vê-la mais de perto. Não foi difícil, ela parecia passear fazendo hora, vendo as vitrines das lojas próximas. Seguiu-a a uma distância segura, para que ela não sentisse sua presença. O mais perto que chegou foi quando ela encontrou uma amiga e distraiu-se o suficiente para que ele se aproximasse a ponto de sentir seu perfume, levemente adocicado. Logo ela olhou o relógio, despediu-se e correu para uma escola próxima, onde pegou uma criança na porta, seria seu filho. Era um menino miúdo, de aparência frágil, que ela abraçou com a ternura e atenção das mães jovens. Pegou-o pela mão e, carregando seus pertences, saíram juntos pela calçada, perdendo o ar sensual que ela exalava até então. Não foi difícil descobrir onde ela morava.
O quarto tinha a luz clara da manhã batendo na parede cor de creme, silencioso e confortável. Aproximou-se da cama e começou a observá-la nos detalhes. Ela se enrolava parcialmente num lençol branco de algodão puro, abraçando um travesseiro. Um edredon também branco fazia parte da confusão da cama. Vestia camiseta e calcinha, e tinha um ar quase infantil. Observou sua respiração serena e aproximou seu rosto do dela, para tentar adivinhar o que sonhava. Não conseguiu, claro, pensou com bom humor. Suas mãos, diferentemente da jovialidade do corpo, se mostravam fortes e maduras, com unhas curtas. Olhou para suas pernas e no tornozelo direito notou uma cicatriz clara, pequena, e ficou imaginado como ela havia ganho aquilo. Vendo-a ali, pensou, gostaria de fazer amor com ela, mas tirou isso da cabeça imediatamente. Preferia não pensar nisso. Mas não resistiu a tocar de leve em seu pé, e nesse momento, ela teve um pequeno sobressalto que o fez parar imediatamente. Ela começava a despertar. Ele afastou-se rapidamente, saindo para o hall dos quartos, um ambiente ainda escuro, encostando-se bem junto da parede. Uma música vinda do rádio-relógio começou a tocar naquele momento e, sem vê-la, pode imaginá-la abrindo os olhos para ver as horas. Deviam ser oito. Ela apenas reduziu um pouco o volume do rádio. A música que tocava era dos Paralamas, que dizia “ eu hoje joguei tanta coisa fora, eu vi o meu passado passar por mim...” . Ele gostava daquela musica, especialmente da parte que dizia “o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu...” apesar de ele não concordar muito com isso. Ele continuou ali parado no hall, pensando no que fazer quando a ouviu bocejar, espreguiçar-se e levantar, indo em direção ao banheiro, fechando a porta. Aproveitou para sair dali. Foi em direção à sala silenciosa, e decidiu passar direto para a área de serviço, contígua à cozinha, onde ele poderia observá-la preparando o café. Olhou as roupas no varal, uma confusão de roupas de criança coloridas, com toalhas e calcinhas pequeninas e também coloridas, que despertavam outros pensamentos. Uma certa bagunça naquela parte da casa transmitia a rotina de uma família, com baldes misturando-se a brinquedos e panos de chão, como toda área de serviço que ele conhecia. Nisso ele a ouviu chegando à cozinha e escondeu-se o melhor que pôde, com medo que ela pudesse vir para onde estava. Daí, seria obrigado a entrar num quartinho ou, finalmente, no banheiro ao lado, e seria vexamoso para ele ter de ficar ali misturando-se às vassouras e esfregões. Ela parou na cozinha mesmo, e começou a fazer um café. Vestia agora um roupão atoalhado e, apesar de descalça, parecia sentir frio. As mulheres sempre sentem frio. Estava com os cabelos amarrotados e com os olhos ainda sonolentos, com uma beleza diferente daquela que ele havia visto ontem na rua. O cheiro do café espalhava-se pela casa agora, e ele o aspirava com prazer. Ela tomou-o puro, apenas com um pouco de leite sem açúcar, e comeu a metade de um pão francês aquecido num forninho elétrico, com manteiga Aviação. Parecia ter pressa. Olhou para o relógio do microondas e voltou para o banheiro levando a xícara com um pouco mais de café. Ao ouvir a porta do banheiro batendo, ele pôde sair de seu esconderijo e conhecer um pouco o resto da casa. Viu uma sala ampla, com uma claridade suave e gostosa. Passeou os olhos pelos CD’s, reconhecendo muitos deles. Alguns ele também gostava bastante. Viu algumas fotos dela sozinha, muitas do filho, outras de pessoas que ele não podia imaginar quem fossem. As fotos são cuidadosas seleções de alguns momentos, que usamos para nos lembrar que é possível sermos felizes. Foi olhar a estante de livros. Esses falam mais sobre seus donos do que as fotografias. Viu bons autores, romances e policiais. Sempre valorizou o ecletismo literário. Boa literatura existe em vários gêneros. Não entendia por que haviam pessoas que passavam a vida toda lendo só mistério ou biografias. Bom, pensou, deixa pra lá, o importante é que leiam. Viu também alguns títulos sobre viagens e lugares exóticos, estilo próprio dos espíritos inquietos. Alguns souvenirs falavam dos lugares onde haviam ido, e ficou em dúvida se aquela coleção kitsch era a sério ou de gozação. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo. Naquele momento, ouviu o barulho de portas novamente, e sentiu que ela vinha para a sala com pressa. Correu de volta para a área e conseguiu vê-la pronta para sair. Usava uma saia preta mais justa que a de ontem e calçava uma bota de couro marrom bem discreta. Vestia uma blusa branca e uma pashmina em tons ocres, estava mais frio hoje. Passou rapidamente as coisas que estavam na bolsa de ontem para uma bolsa maior, e abriu a porta com pressa. Voltou para procurar o celular que havia esquecido em algum lugar, talvez na cozinha, perto de onde ele estava. Quando já estava voltando para a porta ele não resistiu e sussurrou:
- Bom dia.
Ela voltou assustada, em dúvida se tinha ouvido algo ou não. Lógico que não, estava sozinha. Dirigiu-se à porta e saiu. O barulho da chave virando na fechadura o deixava totalmente sozinho na casa e mais uma vez sozinho consigo mesmo, com um sentimento estranho. O que adiantava aquilo tudo, vê-la de tão perto, conhecer detalhes de sua vida, saber os livros que lê e as músicas que ouve e não conseguir passar disso? Sentiu-se abandonado, ele e sua estúpida sombra, impotente como um gato que fica em casa quando os donos saem para trabalhar. Sentiu pena de si mesmo mas não havia o que fazer. Apenas resignar-se com o estado das coisas. E calar.
Não havia muito mais o que ver. Voltou aborrecido ao quarto com a cama desarrumada, deu uma olhada no banheiro ainda úmido de vapor do banho recém tomado, viu jogado sobre a pia o bracelete que ela usava ontem, sentiu o mesmo cheiro de perfume que havia sentido perto dela e, repentinamente, viu-se no espelho. Era uma figura triste, com o rosto magro, a cabeça coberta por um cabelo escuro comprido, sem corte algum. Tinha o corpo franzino, não era alto, não se achava bonito. Preferiu sair dali. Abriu de vez a janela e viu a vida do lado de fora, com seus barulhos, fumaças e gente, muita gente. Felizes os que sofrem só com isso, pensou. Subiu ao parapeito e olhou para baixo – 15 andares. Sentiu um frio na espinha, mas pulou assim mesmo. Caiu alguns metros até que suas asas tivessem força para erguê-lo no ar e alçar vôo naquela manhã fresca de outono. Decidiu que não voltaria a vê-la.
Por Mario Fioretti
O marido dela já havia saído com o filho, sabia disso, e ela estava sozinha em casa agora. E dormia profundamente. Ele aproximou-se da cama e começou a observá-la de perto, cuidadosamente. Ainda ontem ele estava descansando um pouco, na varanda da casa de uma conhecida, no primeiro andar de uma rua comercial muito movimentada, quando a viu passar, vestindo uma camiseta azul celeste, cor que ele gostava. Usava um bracelete de cobre. Chamou sua atenção o cabelo preto bem liso, cortado na altura dos ombros, pele clara, nariz de desenho reto. Os olhos castanhos claros, quase cor de mel foi o que mais o agradou. Imediatamente, e pouco racional, ele concordaria, desceu até a calçada para vê-la mais de perto. Não foi difícil, ela parecia passear fazendo hora, vendo as vitrines das lojas próximas. Seguiu-a a uma distância segura, para que ela não sentisse sua presença. O mais perto que chegou foi quando ela encontrou uma amiga e distraiu-se o suficiente para que ele se aproximasse a ponto de sentir seu perfume, levemente adocicado. Logo ela olhou o relógio, despediu-se e correu para uma escola próxima, onde pegou uma criança na porta, seria seu filho. Era um menino miúdo, de aparência frágil, que ela abraçou com a ternura e atenção das mães jovens. Pegou-o pela mão e, carregando seus pertences, saíram juntos pela calçada, perdendo o ar sensual que ela exalava até então. Não foi difícil descobrir onde ela morava.
O quarto tinha a luz clara da manhã batendo na parede cor de creme, silencioso e confortável. Aproximou-se da cama e começou a observá-la nos detalhes. Ela se enrolava parcialmente num lençol branco de algodão puro, abraçando um travesseiro. Um edredon também branco fazia parte da confusão da cama. Vestia camiseta e calcinha, e tinha um ar quase infantil. Observou sua respiração serena e aproximou seu rosto do dela, para tentar adivinhar o que sonhava. Não conseguiu, claro, pensou com bom humor. Suas mãos, diferentemente da jovialidade do corpo, se mostravam fortes e maduras, com unhas curtas. Olhou para suas pernas e no tornozelo direito notou uma cicatriz clara, pequena, e ficou imaginado como ela havia ganho aquilo. Vendo-a ali, pensou, gostaria de fazer amor com ela, mas tirou isso da cabeça imediatamente. Preferia não pensar nisso. Mas não resistiu a tocar de leve em seu pé, e nesse momento, ela teve um pequeno sobressalto que o fez parar imediatamente. Ela começava a despertar. Ele afastou-se rapidamente, saindo para o hall dos quartos, um ambiente ainda escuro, encostando-se bem junto da parede. Uma música vinda do rádio-relógio começou a tocar naquele momento e, sem vê-la, pode imaginá-la abrindo os olhos para ver as horas. Deviam ser oito. Ela apenas reduziu um pouco o volume do rádio. A música que tocava era dos Paralamas, que dizia “ eu hoje joguei tanta coisa fora, eu vi o meu passado passar por mim...” . Ele gostava daquela musica, especialmente da parte que dizia “o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu...” apesar de ele não concordar muito com isso. Ele continuou ali parado no hall, pensando no que fazer quando a ouviu bocejar, espreguiçar-se e levantar, indo em direção ao banheiro, fechando a porta. Aproveitou para sair dali. Foi em direção à sala silenciosa, e decidiu passar direto para a área de serviço, contígua à cozinha, onde ele poderia observá-la preparando o café. Olhou as roupas no varal, uma confusão de roupas de criança coloridas, com toalhas e calcinhas pequeninas e também coloridas, que despertavam outros pensamentos. Uma certa bagunça naquela parte da casa transmitia a rotina de uma família, com baldes misturando-se a brinquedos e panos de chão, como toda área de serviço que ele conhecia. Nisso ele a ouviu chegando à cozinha e escondeu-se o melhor que pôde, com medo que ela pudesse vir para onde estava. Daí, seria obrigado a entrar num quartinho ou, finalmente, no banheiro ao lado, e seria vexamoso para ele ter de ficar ali misturando-se às vassouras e esfregões. Ela parou na cozinha mesmo, e começou a fazer um café. Vestia agora um roupão atoalhado e, apesar de descalça, parecia sentir frio. As mulheres sempre sentem frio. Estava com os cabelos amarrotados e com os olhos ainda sonolentos, com uma beleza diferente daquela que ele havia visto ontem na rua. O cheiro do café espalhava-se pela casa agora, e ele o aspirava com prazer. Ela tomou-o puro, apenas com um pouco de leite sem açúcar, e comeu a metade de um pão francês aquecido num forninho elétrico, com manteiga Aviação. Parecia ter pressa. Olhou para o relógio do microondas e voltou para o banheiro levando a xícara com um pouco mais de café. Ao ouvir a porta do banheiro batendo, ele pôde sair de seu esconderijo e conhecer um pouco o resto da casa. Viu uma sala ampla, com uma claridade suave e gostosa. Passeou os olhos pelos CD’s, reconhecendo muitos deles. Alguns ele também gostava bastante. Viu algumas fotos dela sozinha, muitas do filho, outras de pessoas que ele não podia imaginar quem fossem. As fotos são cuidadosas seleções de alguns momentos, que usamos para nos lembrar que é possível sermos felizes. Foi olhar a estante de livros. Esses falam mais sobre seus donos do que as fotografias. Viu bons autores, romances e policiais. Sempre valorizou o ecletismo literário. Boa literatura existe em vários gêneros. Não entendia por que haviam pessoas que passavam a vida toda lendo só mistério ou biografias. Bom, pensou, deixa pra lá, o importante é que leiam. Viu também alguns títulos sobre viagens e lugares exóticos, estilo próprio dos espíritos inquietos. Alguns souvenirs falavam dos lugares onde haviam ido, e ficou em dúvida se aquela coleção kitsch era a sério ou de gozação. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo. Naquele momento, ouviu o barulho de portas novamente, e sentiu que ela vinha para a sala com pressa. Correu de volta para a área e conseguiu vê-la pronta para sair. Usava uma saia preta mais justa que a de ontem e calçava uma bota de couro marrom bem discreta. Vestia uma blusa branca e uma pashmina em tons ocres, estava mais frio hoje. Passou rapidamente as coisas que estavam na bolsa de ontem para uma bolsa maior, e abriu a porta com pressa. Voltou para procurar o celular que havia esquecido em algum lugar, talvez na cozinha, perto de onde ele estava. Quando já estava voltando para a porta ele não resistiu e sussurrou:
- Bom dia.
Ela voltou assustada, em dúvida se tinha ouvido algo ou não. Lógico que não, estava sozinha. Dirigiu-se à porta e saiu. O barulho da chave virando na fechadura o deixava totalmente sozinho na casa e mais uma vez sozinho consigo mesmo, com um sentimento estranho. O que adiantava aquilo tudo, vê-la de tão perto, conhecer detalhes de sua vida, saber os livros que lê e as músicas que ouve e não conseguir passar disso? Sentiu-se abandonado, ele e sua estúpida sombra, impotente como um gato que fica em casa quando os donos saem para trabalhar. Sentiu pena de si mesmo mas não havia o que fazer. Apenas resignar-se com o estado das coisas. E calar.
Não havia muito mais o que ver. Voltou aborrecido ao quarto com a cama desarrumada, deu uma olhada no banheiro ainda úmido de vapor do banho recém tomado, viu jogado sobre a pia o bracelete que ela usava ontem, sentiu o mesmo cheiro de perfume que havia sentido perto dela e, repentinamente, viu-se no espelho. Era uma figura triste, com o rosto magro, a cabeça coberta por um cabelo escuro comprido, sem corte algum. Tinha o corpo franzino, não era alto, não se achava bonito. Preferiu sair dali. Abriu de vez a janela e viu a vida do lado de fora, com seus barulhos, fumaças e gente, muita gente. Felizes os que sofrem só com isso, pensou. Subiu ao parapeito e olhou para baixo – 15 andares. Sentiu um frio na espinha, mas pulou assim mesmo. Caiu alguns metros até que suas asas tivessem força para erguê-lo no ar e alçar vôo naquela manhã fresca de outono. Decidiu que não voltaria a vê-la.
Por Mario Fioretti
Vencedor Poesia - "Cerrada"
Quero
o murmúrio do ouvido na água
o estado de minério
a quietude da rocha
o mergulho da retina no escuro
a densidade da mata
a fundura de um leito de rio
para uma raiz alimentada
e então a voz.
Por Débora Tavares
o murmúrio do ouvido na água
o estado de minério
a quietude da rocha
o mergulho da retina no escuro
a densidade da mata
a fundura de um leito de rio
para uma raiz alimentada
e então a voz.
Por Débora Tavares
19 setembro 2006
Menção honrosa Poesia - “Visões”
todas as bombas lentas no oriente
tristezas televisivas do continente africano
a cada seis segundos
alguém soropositivado
plenas decências
aplaudida decadência de um irmão...
em Hollywood explodem
luzes
de um spotlight...
Por Davi de Aragão Santos
tristezas televisivas do continente africano
a cada seis segundos
alguém soropositivado
plenas decências
aplaudida decadência de um irmão...
em Hollywood explodem
luzes
de um spotlight...
Por Davi de Aragão Santos
12 setembro 2006
Dois grandes


Seguir o exemplo dos grandes escritores, eis aí uma boa coisa a se fazer na vida.
"A grande coisa é viver-sentir, ser cônscio de suas possibilidades; não passar pela vida mecânica e insensivelmente, como uma carta pelo correio."
Henry James
autor de A herdeira, considerado um de seus melhores livros.
"Amo as dificuldades, as impossibilidades. Amo sobretudo a vida, e acredito que a produção, seja qual for, é sempre preferível ao repouso."
Emile Zola
autor de Germinal, uma obra-prima, dentre muitos outros títulos de valor produzidos por Zola.
08 setembro 2006
Júri do Sarau Concurso

Vanderley Mendonça é Designer, Editor e Tradutor.
Como Jornalista trabalhou em Portugal e Espanha, pela Agência Lusa.
Foi professor do curso de Editoração da ECA-USP (2005).
É Sócio da Amauta Editorial, e no dia 17 de setembro integrará o corpo de jurados do Sarau Concurso da Rato.
Para participar, peça o regulamento completo por e-mail: ratodelivraria@uol.com.br
30 agosto 2006
A ÚLTIMA CASA DA MEMÓRIA
Aberta a caixa de laca, desfeito o embrulho, ali está. Depois de cortado, posto na tira de palha, aquecido sob a lamparina, este pedaço cor de avelã é levado para o orifício do cachimbo, onde borbulha perfumando o ar. Todos estes mínimos gestos cerzidos para a alquimia perfeita, cada um deles ritualisticamente saído das mãos de um cambojano. Um fumador de ópio.
Estamos em uma cabana nas profundezas do Mekong em pleno século 21. Mas o tempo e o lugar são outros para o praticante desta cerimônia hoje em franca extinção. Trata-se do espaço contemplativo que descansa no espaldar da memória - essa remota dimensão aberta por uma passagem rumo a coisas tão sabidas e, no entanto, tão ignoradas.
Temos aqui uma espécie de diário de bordo, escrito por um jornalista norte-americano que se dispõe a partir pelo mundo em busca da última casa de ópio. Mas enganam-se os que pensam que o autor desse relato é um apologista do vício, pura e simplesmente. Na realidade, Nick Tosches pode ser reconhecido como um desses raros amantes do rito que, bombardeado pelo artificialismo e pela cultura do efêmero dos nossos dias, de repente sai à procura de um longínquo artefazer, cujo costume guarda certo parentesco mágico com os cultos da pré-história que serviram para significar o tempo e atribuir à vida motivo de celebração. Falamos, pois, de uma expedição à última casa da memória, aventura a que o autor se entrega do mesmo modo apaixonado e solitário com que o fumante de ópio se rende às jornadas da alma.
Enquanto homens de alta classe, instruídos pela erudição do supérfluo, pagam 35 dólares para saborear meia cebola salpicada com caviar num afamado restaurante de Nova Iorque - não qualquer cebola, vejam bem, mas uma cebola de Walla Walla -, convictos da mais fina apreciação do exótico, no centro do labirinto das ruas de Hong Kong, velhos chineses preparam o verdadeiro repasto: sopa de cobra com pétalas de crisântemo – não qualquer cobra, vejam bem, mas a serpente mais venenosa. Esses dois fatos narrados pelo autor, no percurso de sua viagem de um extremo a outro, em verdade traduzem dois extremos de vivência do que se usa chamar “sabedoria”.
Traçando um breve histórico do ópio, desde suas origens, Tosches ainda se detém no modo surpreendentemente sofisticado de preparo da droga. Ao acompanharmos sua descrição, passo a passo, a impressão que nos fica é de estarmos presenciando a confecção de uma relíquia tão inigualável como pictogramas fenícios inscritos numa pedra ou glifos numa cerâmica maia. Importa aí toda a mestria joalheira, o vagar de cada processo, a preciosa dedicação. Fumar o ópio extraído de tal mineração vem a ser apenas o ato final de consagração do longo ritual anterior a esta nuvem aromática, através da qual a mente divaga por um caminho que, sendo evanescente, é também, em alguma instância além, um caminho duradouro.
Em um dos momentos marcantes do livro, não à toa sob o efeito de um trago e outro, Tosches escreve: "Todos os comprimidos e toda a prostituição da psicoterapia do mundo não são nada comparados com as ancestrais palavras coptas do Evangelho de Tomé: ‘Se trazes à tona o que está dentro de ti, o que trazes à tona te salva. Se não trazes à tona o que está dentro de ti, o que não trazes à tona te destrói’. É simples e indecifrável assim. Esqueça a interação do ópio com a serotonina. O que vale é a interação dele com a sabedoria do Evangelho de Tomé. Seus vapores pertencem ao que você tem dentro". E, afinal, como o próprio autor questiona logo adiante, por que um viciado em ópio seria mais desprezível do que "um dependente da televisão, ou das outras artificialidades rasteiras de um mundo tão vazio a ponto de ter consciência e entendimento da pseudo-ciência da serotonina, mas não da sabedoria de Tomé?".
Chegamos então ao cerne da busca trilhada ao longo do livro: a busca de um “paraíso quase perdido”, no qual uns vêem somente um bocado de tóxico produzido a partir da seiva da papoula, e outros, o rastro da memória e do ofício da vida, sementes uma vez já plantadas no campo dos séculos por grandes rapsodos.
MARIANA IANELLI
Autora dos livros Passagens (ed. Iluminuras) e Fazer silêncio (finalista do Prêmio Jabuti 2006 – ed. Iluminuras), entre outros.
Sobre o livro:
A última casa de ópio
Nick Tosches
Conrad Editora
93 páginas
R$ 25,00
Estamos em uma cabana nas profundezas do Mekong em pleno século 21. Mas o tempo e o lugar são outros para o praticante desta cerimônia hoje em franca extinção. Trata-se do espaço contemplativo que descansa no espaldar da memória - essa remota dimensão aberta por uma passagem rumo a coisas tão sabidas e, no entanto, tão ignoradas.
Temos aqui uma espécie de diário de bordo, escrito por um jornalista norte-americano que se dispõe a partir pelo mundo em busca da última casa de ópio. Mas enganam-se os que pensam que o autor desse relato é um apologista do vício, pura e simplesmente. Na realidade, Nick Tosches pode ser reconhecido como um desses raros amantes do rito que, bombardeado pelo artificialismo e pela cultura do efêmero dos nossos dias, de repente sai à procura de um longínquo artefazer, cujo costume guarda certo parentesco mágico com os cultos da pré-história que serviram para significar o tempo e atribuir à vida motivo de celebração. Falamos, pois, de uma expedição à última casa da memória, aventura a que o autor se entrega do mesmo modo apaixonado e solitário com que o fumante de ópio se rende às jornadas da alma.
Enquanto homens de alta classe, instruídos pela erudição do supérfluo, pagam 35 dólares para saborear meia cebola salpicada com caviar num afamado restaurante de Nova Iorque - não qualquer cebola, vejam bem, mas uma cebola de Walla Walla -, convictos da mais fina apreciação do exótico, no centro do labirinto das ruas de Hong Kong, velhos chineses preparam o verdadeiro repasto: sopa de cobra com pétalas de crisântemo – não qualquer cobra, vejam bem, mas a serpente mais venenosa. Esses dois fatos narrados pelo autor, no percurso de sua viagem de um extremo a outro, em verdade traduzem dois extremos de vivência do que se usa chamar “sabedoria”.
Traçando um breve histórico do ópio, desde suas origens, Tosches ainda se detém no modo surpreendentemente sofisticado de preparo da droga. Ao acompanharmos sua descrição, passo a passo, a impressão que nos fica é de estarmos presenciando a confecção de uma relíquia tão inigualável como pictogramas fenícios inscritos numa pedra ou glifos numa cerâmica maia. Importa aí toda a mestria joalheira, o vagar de cada processo, a preciosa dedicação. Fumar o ópio extraído de tal mineração vem a ser apenas o ato final de consagração do longo ritual anterior a esta nuvem aromática, através da qual a mente divaga por um caminho que, sendo evanescente, é também, em alguma instância além, um caminho duradouro.
Em um dos momentos marcantes do livro, não à toa sob o efeito de um trago e outro, Tosches escreve: "Todos os comprimidos e toda a prostituição da psicoterapia do mundo não são nada comparados com as ancestrais palavras coptas do Evangelho de Tomé: ‘Se trazes à tona o que está dentro de ti, o que trazes à tona te salva. Se não trazes à tona o que está dentro de ti, o que não trazes à tona te destrói’. É simples e indecifrável assim. Esqueça a interação do ópio com a serotonina. O que vale é a interação dele com a sabedoria do Evangelho de Tomé. Seus vapores pertencem ao que você tem dentro". E, afinal, como o próprio autor questiona logo adiante, por que um viciado em ópio seria mais desprezível do que "um dependente da televisão, ou das outras artificialidades rasteiras de um mundo tão vazio a ponto de ter consciência e entendimento da pseudo-ciência da serotonina, mas não da sabedoria de Tomé?".
Chegamos então ao cerne da busca trilhada ao longo do livro: a busca de um “paraíso quase perdido”, no qual uns vêem somente um bocado de tóxico produzido a partir da seiva da papoula, e outros, o rastro da memória e do ofício da vida, sementes uma vez já plantadas no campo dos séculos por grandes rapsodos.
MARIANA IANELLI
Autora dos livros Passagens (ed. Iluminuras) e Fazer silêncio (finalista do Prêmio Jabuti 2006 – ed. Iluminuras), entre outros.
Sobre o livro:
A última casa de ópio
Nick Tosches
Conrad Editora
93 páginas
R$ 25,00
29 agosto 2006
Música na Rato

“Então vem o compositor e lembra que preto gosta de branca, branco gosta de preta (e todos os vice-versas) e que o samba quer inventar uma nova raça – basta que não sejamos escravos de nós mesmos e pronto, o mundo está redesenhado”
A frase acima é de Mauro Dias e nos mostra um pouco do caldo que vamos encontrar no mais recente trabalho de Élio Camalle, músico convidado do Sarau Concurso da Rato.
Neste evento inédito da Rato, que será realizado em 17 de setembro, um domingo que esperamos ser de muito sol e temperatura agradável, receberemos com grande prazer o cantor e compositor Élio Camalle. Durante o Sarau, Élio vai nos presentear com uma mostra do seu excelente trabalho, que tem influência de vários estilos, dentre eles o samba, a mpb e a toada.
Bicho Preto, seu mais novo CD, foi produzido por Dino Barioni e possui participações especiais da cantora italiana Patrizia Laquidara, Rita Braga, do baterista Marco Zanotti e do cantor e compositor Celso Viáfora, e já está à venda na Rato de Livraria.
O Sarau Concurso da Rato tem entrada franca e vai começar a partir das 5 da tarde. Mas para quem pretende concorrer com poesia ou prosa, é necessário chegar às 4 da tarde para fazer a inscrição.
Para mais informações sobre a carreira, discografia e contato para shows de Élio Camalle, acesse o site www.eliocamalle.com.br. Para mais informações sobre o Sarau Concurso da Rato, peça o regulamento via e-mail: ratodelivraria@uol.com.br
23 agosto 2006
As sabedorias de Adélia
Não direi todos os clichês que já estamos cansados de ouvir sobre a mortalidade que ronda todos nós. São tantos, inúmeros, gastos, rotos... A morte é o assunto mais temido por todos, não é mesmo? Tantos já escreveram sobre ela, tantos já se debateram tentando apreendê-la para além dos clichês, mas quantos conseguiram de fato, essa proeza? É assunto árido, difícil e por isso, ler um livro que fala de morte de maneira delicada - como um afago – como uma conversa leve e amena é realmente uma grata surpresa, uma surpresa que se quer dividir com os outros. “Quero minha mãe”, da escritora Adélia Prado, é esse livro, é esta grata surpresa. Mais uma vez, Adélia vem poeticamente prosear sobre a vida e de maneira lírica – como nos conta já no título – fala de morte como quem nos conta sobre as novas flores do seu jardim. Olímpia é o nome da personagem que pressente a morte e que vai cavoucando lembranças como se buscasse em si mesma, as “sabedorias no almoxarifado” (como bem diz a autora) necessárias para enfrentar a proximidade da (terrível?) companhia. Estas sabedorias ela encontra na infância distante, mas sempre presente e na vida doméstica singela, mas cheia de significados profundos que fortalecem e ajudam a encarar a triste fase. O livro de Adélia é cheio de pequenas graças – sim, graças - e nos mostra que tudo depende da nossa visão. A morte pode ser encarada até com bom humor, como mais uma parte deste caminho sempre surpreendente que é a vida. “ De madrugada, mais assustada que o filhote e sem outra providência à mão, tomei vinte gotas de mulungu. Acordei boa, sol no céu e na alma (...)”: é assim que Adélia Prado nos fala das asperezas da morte. É dessa maneira lírica e tão bela, que ela nos leva para caminhar na inóspita paisagem da mortalidade (palavra terrível essa, não?). Como um companheiro de viagem sábio e sensível; como alguém que vivencia sua dor de forma corajosa e digna; é assim que Adélia nos leva a conhecer os terríveis meandros da morte, no entanto, não há o que temer; nesta estrada andaremos lépidos e fagueiros; porque bem acompanhados. Tens medo da morte? Então não deixe de contemplá-la pelos olhos de Adélia Prado.
Por Ana Claudia
Quero minha mãe
Adélia Prado
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da Adélia, leia também:
Os componentes da banda
romance lançado em 1984, reeditado em 2006.
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Por Ana Claudia
Quero minha mãe
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Os animais de todo mundo
Jacques Roubaud
Poesia francesa (adultos e crianças)
ed. bilíngue - capa dura
Trad. Paula Glenadel
Ilustr.: Fefe Talavera
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Discurso sobre a poesia dramática
Denis Diderot
Poesia/Teatro/História e crítica
CosacNaify
195 págs.
De R$ 49,00 por R$ 34,30
O rocambole
Davi Arrigucci Jr.
Ficção brasileira
CosacNaify
118 págs.
De R$ 38,00 por R$ 26,60
Rato de Livraria
3266-4476
ratodelivraria@uol.com.br
21 agosto 2006
Pequenos trechos da produção literária contemporânea

"Sou bibliotecária da faculdade de Filosofia. Funcionária pública efetivada. Vivo cercada por livros, convivendo com bacilos de todo tipo: de barba, bigode, terno, gravata, combalidos, decrépitos - falo dos filósofos, claro, pois os dos livros me imunizam contra a imbecilidade em que estou metida.
Já minha filha tem alergia às letras e adora homens. Aos 24 anos, sua lista de ex-namorados já esgotou o alfabeto. Ela quer ser atriz. Suspeito que viverá às minhas custas por muito tempo."
in Ao Homem que não me quis, de Ivana Arruda Leite
continuação

"Délio era apaixonado por basquete, e logo ela passou a entender mais de basquete do que ele. Ele era economista e, em pouco tempo, ela leu todos os seus livros favoritos e outros mais. Ele amava o cinema francês, e o cinema francês passou a ser o preferido de Dina. No Chile, ele fora amigo dos Parra, e o dia todo agora Dina escutava os discos de Violeta e de Angel, e de Vitor Jara, e os Quilapayun. Délio adorava macarrão e, de repente, ela descobriu sua capacidade inata de fazer macarrão todo dia."
in O Fantasma de Luis Buñuel, de Maria José Silveira
19 agosto 2006
Júri do Sarau Concurso da Rato


Mariana Ianelli é jurada do Sarau Concurso da Rato. A autora já publicou vários livros, dentre os mais recentes Passagens e Fazer silêncio (ambos pela Iluminuras); com este último Mariana foi finalista do Jabuti 2006 na categoria Poesia.
O Sarau Concurso da Rato vai acontecer no dia 17 de setembro (domingo), às 5 da tarde.
Aguarde o regulamento via e-mail e também neste blog.
Fazer silêncio
Mariana Ianelli
Iluminuras
127 págs.
R$ 29,00
Reserve o seu por fone 3266-4476 ou por e-mail ratodelivraria@uol.com.br
17 agosto 2006
Livros com megadesconto!


Na Rato você encontra livros de alta qualidade com preços excelentes.
Confira abaixo estas ofertas da CosacNaify, que são válidas só até este sábado!
Tigre de papel
(lançamento flip)
Rolin, Olivier
literatura francesa
De R$ 49,00 por R$ 40,00
Situações I
Sartre, Jean Paul
crítica literária
De R$ 69,00 por R$ 56,00
Reserve o seu na Rato: 3266-4476 ou pelo email ratodelivraria@uol.com.br
Júri do Sarau Concurso



Marcelino Freire é um dos jurados confirmados para o Sarau Concurso da Rato, que se realizará no dia 17 de setembro.
O autor já publicou diversos livros (EraODito, Angu de Sangue e BaléRalé - pela Ateliê Editorial), participou de coletâneas de poetas ligados a Recife, como Invenção Recife, e também organizou várias coletâneas de autores contemporâneos, como Os Cem Menores Contos Brasileiros. Marcelino acaba de conquistar o Jabuti com Contos Negreiros, pela Record.
Contos Negreiros
Marcelino Freire
Record
R$ 22,00
Reserve este e outros títulos de Marcelino na Rato.
f. 3266-4476
r. Paraíso, 790
metrô Paraíso
16 agosto 2006
Maria José Silveira e Ivana Arruda Leite


A próxima edição do Território Nacional é mais uma oportunidade pra você ficar por dentro do que rola na literatura brasileira contemporânea.
Os livros das autoras já se encontram na Rato. Reserve o seu com entrega antecipada.
E não se esqueça: o evento será no dia 26 de agosto, sábado, às 5 da tarde.
Eu te darei o céu
Ivana Arruda Leite
Ed. 34
R$ 25,00
Falo de mulher
Ivana Arruda Leite
Ateliê Editorial
R$ 24,00
Eleanor Marx, filha de Karl
Maria José Silveira
Ed. Francis
R$ 28,00
Para adquirir outros títulos das autoras, faça sua encomenda por e-mail ou fone ratodelivraria@uol.com.br - 3266-4476.
14 agosto 2006
Tradução ou falsificação ?
É impressionante a má qualidade da tradução de obras científicas e literárias publicadas e vendidas em nosso país por editoras inescrupulosas, que encaram o seu nobre ofício sem nenhuma vocação ou profissionalismo, mas apenas como um negócio cujo único objetivo é lucrar de maneira rápida e segura. Na minha experiência de professor universitário e leitor contumaz, tenho deparado com inúmeras traduções absurdas, que não hesitaria em classificar de criminosas, pois não passam de contrafações que desfiguram e falsificam as obras originais. Pior do que a chamada pirataria de CDs e DVDs (que reproduz e comercializa obras sem pagar impostos ou direitos de propriedade intelectual, mas não as falsifica), esse tipo de desonestidade parece desenvolver-se sem qualquer controle entre nós, prejudicando o conhecimento e a formação de estudantes e leitores. Bastam poucos exemplos recentes para demonstrar que há editoras vendendo gato por lebre, desrespeitando não apenas nosso bolso e inteligência, como também os autores e editoras das obras originais.
No ano passado, uma grande editora do Rio de Janeiro publicou a tradução de um livro crucial para o debate sobre as perspectivas de agravamento da crise mundial do abastecimento de água, escrito por uma comissão de especialistas franceses de alto nível. Lançado em 2004, na França, o livro discute caminhos alternativos para assegurar o financiamento da infra-estrutura necessária para garantir acesso universal à água potável e ao esgotamento sanitário até 2025, conforme os Objetivos do Milênio firmados na ONU em 2000. Infelizmente, o que poderia ser uma excelente contribuição da editora para o debate sobre este tema em nosso país revelou-se uma catástrofe em termos de tradução. Na apresentação de um dos autores, engenheiro sanitarista, sua atuação no continente africano em um programa de “poços e perfurações” (puits et forages, em francês) foi simplesmente traduzida como “campanha de potes e forragens profundas” (sic). Noutra passagem, “puxar a descarga” do vaso sanitário (tirer la chasse) foi traduzida como “atirar na caça”! Desnecessário dizer que as frases decorrentes deste tipo de tradução mecânica, que parece obra de algum programa de computador, resultaram em um livro cujo texto é quase sempre incompreensível. No mínimo, o volume teria de ser retirado do mercado e os compradores ressarcidos do prejuízo de terem aquirido um produto falsificado.
E não é apenas a ciência que sofre com práticas inescrupulosas de “tradução”, mas também a literatura. Um triste exemplo mostra como as crianças também estão sendo enganadas. Há alguns anos, lendo uma versão do Peter Pan para meu filho, deparei com uma frase na qual o narrador dizia que, na Terra do Nunca, a ilha onde vive o personagem, “nada cresce”. Ora, um simples descuido, ao traduzir o texto de uma versão espanhola, havia transformado a terra maravilhosa da infância eterna, onde ninguém (nadie) crescia, em um deserto amaldiçoado, matando a poesia do original.
Os exemplos mostram que a falta de escrúpulos neste campo envolve também algumas empresas de renome e expressão nacional neste ramo. Obviamente, ainda existem editores comprometidos com a qualidade e relevância de suas publicações, à frente de pequenas, médias e grandes editoras, que contratam tradutores competentes e submetem suas versões à revisão de especialistas. Mas é preciso reconhecer que mesmo estes têm sido pressionados pela feroz concorrência em larga escala que tem prevalecido em todos os campos da mídia e da indústria cultural na era da informação globalizada em que vivemos. São compelidos a publicar certos títulos, sob um formato específico, em determinado momento, para aproveitar nichos e oportunidades de mercado cada vez mais fugazes, o que gera descuidos pontuais mais ou menos graves mesmo nas editoras mais profissionais. Mas a concorrência, a pressa e o lucro não podem ser usados como justificativa para a desonestidade intelectual e a contrafação do saber. Cabe aos escritores, professores, editores, tradutores, revisores, leitores e organizações de classe do setor zelar pela qualidade dos livros traduzidos que se publicam em nosso país, com o mesmo carinho e seriedade com que as editoras estrangeiras de maior prestígio tratam as obras científicas e literárias de nossos melhores autores nos países avançados.
Por Marcelo Coutinho Vargas - sociólogo e urbanista, professor da Universidade Federal de São Carlos, poeta e autor do livro O negócio da Água (Annablume, 2005), entre outros.
No ano passado, uma grande editora do Rio de Janeiro publicou a tradução de um livro crucial para o debate sobre as perspectivas de agravamento da crise mundial do abastecimento de água, escrito por uma comissão de especialistas franceses de alto nível. Lançado em 2004, na França, o livro discute caminhos alternativos para assegurar o financiamento da infra-estrutura necessária para garantir acesso universal à água potável e ao esgotamento sanitário até 2025, conforme os Objetivos do Milênio firmados na ONU em 2000. Infelizmente, o que poderia ser uma excelente contribuição da editora para o debate sobre este tema em nosso país revelou-se uma catástrofe em termos de tradução. Na apresentação de um dos autores, engenheiro sanitarista, sua atuação no continente africano em um programa de “poços e perfurações” (puits et forages, em francês) foi simplesmente traduzida como “campanha de potes e forragens profundas” (sic). Noutra passagem, “puxar a descarga” do vaso sanitário (tirer la chasse) foi traduzida como “atirar na caça”! Desnecessário dizer que as frases decorrentes deste tipo de tradução mecânica, que parece obra de algum programa de computador, resultaram em um livro cujo texto é quase sempre incompreensível. No mínimo, o volume teria de ser retirado do mercado e os compradores ressarcidos do prejuízo de terem aquirido um produto falsificado.
E não é apenas a ciência que sofre com práticas inescrupulosas de “tradução”, mas também a literatura. Um triste exemplo mostra como as crianças também estão sendo enganadas. Há alguns anos, lendo uma versão do Peter Pan para meu filho, deparei com uma frase na qual o narrador dizia que, na Terra do Nunca, a ilha onde vive o personagem, “nada cresce”. Ora, um simples descuido, ao traduzir o texto de uma versão espanhola, havia transformado a terra maravilhosa da infância eterna, onde ninguém (nadie) crescia, em um deserto amaldiçoado, matando a poesia do original.
Os exemplos mostram que a falta de escrúpulos neste campo envolve também algumas empresas de renome e expressão nacional neste ramo. Obviamente, ainda existem editores comprometidos com a qualidade e relevância de suas publicações, à frente de pequenas, médias e grandes editoras, que contratam tradutores competentes e submetem suas versões à revisão de especialistas. Mas é preciso reconhecer que mesmo estes têm sido pressionados pela feroz concorrência em larga escala que tem prevalecido em todos os campos da mídia e da indústria cultural na era da informação globalizada em que vivemos. São compelidos a publicar certos títulos, sob um formato específico, em determinado momento, para aproveitar nichos e oportunidades de mercado cada vez mais fugazes, o que gera descuidos pontuais mais ou menos graves mesmo nas editoras mais profissionais. Mas a concorrência, a pressa e o lucro não podem ser usados como justificativa para a desonestidade intelectual e a contrafação do saber. Cabe aos escritores, professores, editores, tradutores, revisores, leitores e organizações de classe do setor zelar pela qualidade dos livros traduzidos que se publicam em nosso país, com o mesmo carinho e seriedade com que as editoras estrangeiras de maior prestígio tratam as obras científicas e literárias de nossos melhores autores nos países avançados.
Por Marcelo Coutinho Vargas - sociólogo e urbanista, professor da Universidade Federal de São Carlos, poeta e autor do livro O negócio da Água (Annablume, 2005), entre outros.
09 agosto 2006
Poesia na prosa
O título “Dias Raros” não poderia ser mais apropriado para o livro de contos de João Anzanello Carrascoza. São retratos das relações cotidianas, de simplicidade profunda, raiz que alimenta os dias.
Há nos contos de Carrascoza um olhar atento para paisagens de família. Uma das mais impressionantes está no conto “Umbilical”. Abdicado de pontos e parágrafos, o conto segue, como fluxo sanguíneo, pelo cordão que une mãe e filho. E as palavras, tantas, ainda que não ditas, surpreendem pela singeleza e intensidade dos pensamentos, como quando a mãe oferece o seu pão ao filho: “...e eu me sentia feliz em poder dar a ele o que eu mais queria, e vê-lo saciar a sua fome...”.
E quando aqui pensamos em família, subentendemos também um passeio às nossas memórias: o tempero, o quintal da casa da avó, por exemplo, que podemos descobrir guardados nas entrelinhas do conto “Dias Raros”. Paisagem de infância: o menino, o pomar, os passarinhos, “E seus vôos, repentinos, a cantoria, todos no tranqüilo, o menino inclusive, sãos e simples”.
Raridade é esse olhar são, para a poesia da vida.
Por Débora Tavares
Dias raros
João Carrascoza
Ed. Planeta
R$ 27,00
Há nos contos de Carrascoza um olhar atento para paisagens de família. Uma das mais impressionantes está no conto “Umbilical”. Abdicado de pontos e parágrafos, o conto segue, como fluxo sanguíneo, pelo cordão que une mãe e filho. E as palavras, tantas, ainda que não ditas, surpreendem pela singeleza e intensidade dos pensamentos, como quando a mãe oferece o seu pão ao filho: “...e eu me sentia feliz em poder dar a ele o que eu mais queria, e vê-lo saciar a sua fome...”.
E quando aqui pensamos em família, subentendemos também um passeio às nossas memórias: o tempero, o quintal da casa da avó, por exemplo, que podemos descobrir guardados nas entrelinhas do conto “Dias Raros”. Paisagem de infância: o menino, o pomar, os passarinhos, “E seus vôos, repentinos, a cantoria, todos no tranqüilo, o menino inclusive, sãos e simples”.
Raridade é esse olhar são, para a poesia da vida.
Por Débora Tavares
Dias raros
João Carrascoza
Ed. Planeta
R$ 27,00
05 agosto 2006
Vem aí o Sarau Concurso da Rato
O Sarau da Rato se supera a cada edição, e agora é hora de premiar quem tanto nos prestigiou neste primeiro ano de eventos: você – leitor que também escreve.
Que tal retirar seus textos da gaveta dos escondidinhos e se inscrever nesta deliciosa brincadeira? E não precisa ser escritor pra participar!
Como funciona?
Você vem ao nosso sarau do dia 17 de setembro e lê o seu texto. O julgamento é feito na hora e a premiação se dá ao final do evento.
Para constituir o júri, a Rato convidou alguns escritores e editores do mercado, e, para a premiação, nada mais nada menos do que LIVROS!
A inscrição é gratuita e cada autor (publicado ou não) poderá concorrer em apenas uma categoria, Poesia ou Conto/Crônica, com somente 01 texto de, no máximo, 02 laudas, corpo 12. O texto deverá ser inédito, pelo menos nunca publicado, nem em blogs. Ficando o autor responsável pela informação atestada.
Serão premiados o primeiro e o segundo lugares em cada categoria.
O regulamento completo será enviado por e-mail para nosso mailing e para quem mais solicitar, a partir de 21 de agosto de 2006.
Por enquanto, você pode acessar este blog diariamente e ficar por dentro da evolução do concurso.
Procure na sua gaveta de guardados ou então comece a escrever agora. Você ainda tem tempo!
Sarau Concurso na Rato – dia 17 de setembro, domingo.
Que tal retirar seus textos da gaveta dos escondidinhos e se inscrever nesta deliciosa brincadeira? E não precisa ser escritor pra participar!
Como funciona?
Você vem ao nosso sarau do dia 17 de setembro e lê o seu texto. O julgamento é feito na hora e a premiação se dá ao final do evento.
Para constituir o júri, a Rato convidou alguns escritores e editores do mercado, e, para a premiação, nada mais nada menos do que LIVROS!
A inscrição é gratuita e cada autor (publicado ou não) poderá concorrer em apenas uma categoria, Poesia ou Conto/Crônica, com somente 01 texto de, no máximo, 02 laudas, corpo 12. O texto deverá ser inédito, pelo menos nunca publicado, nem em blogs. Ficando o autor responsável pela informação atestada.
Serão premiados o primeiro e o segundo lugares em cada categoria.
O regulamento completo será enviado por e-mail para nosso mailing e para quem mais solicitar, a partir de 21 de agosto de 2006.
Por enquanto, você pode acessar este blog diariamente e ficar por dentro da evolução do concurso.
Procure na sua gaveta de guardados ou então comece a escrever agora. Você ainda tem tempo!
Sarau Concurso na Rato – dia 17 de setembro, domingo.
Literalmente mais livraria
Hoje é dia de Território Nacional, evento promovido pela Rato para aproximar o público leitor da produção literária contemporânea brasileira.
Já estiveram na Rato os escritores Marçal Aquino e João Carrascoza, que nos deram a satisfação de conhecer um pouco do seu processo de criação, da construção de personagens, e até mesmo de ficar por dentro de algumas curiosidades do mundo literário.
Hoje a dupla convidada é Daniel Galera e Santiago Nazarian.
A mediação dos bate-papos é feita por Moacyr Godoy Moreira, autor de Lâmina do tempo, e República das bicicletas (ambos pela Ateliê Editorial, e à venda na Rato).
Moacyr foi o idealizador do evento, que teve sua origem até mesmo antes da livraria ser inaugurada. Em meio aos cafés que "acompanharam" a obra da Rato, Moacyr nos presenteou com a idéia. Imediatamente aceitamos, e hoje, após meses de maturação do projeto, o Território Nacional está se consolidando como um encontro literário de alto nível, não só pela presença de nomes que despontam no cenário da literatura atual, como também pela sintonia e empatia que emplacou com o público.
Para as próximas edições, o Território Nacional trará diversos nomes que estão em voga na literatura brasileira e, com eles, idéias, opiniões e muita troca de informação.
E para quem gosta de literatura, vem aí outro prato cheio: o Sarau Concurso da Rato. Acompanhe amanhã, neste blog, mais dados deste evento que promete agitar a vida dos apaixonados por letras.
Território Nacional
Hoje, 4 da tarde
Rato de Livraria
r. do Paraíso, 790
Metrô Paraíso
3266-4476
Já estiveram na Rato os escritores Marçal Aquino e João Carrascoza, que nos deram a satisfação de conhecer um pouco do seu processo de criação, da construção de personagens, e até mesmo de ficar por dentro de algumas curiosidades do mundo literário.
Hoje a dupla convidada é Daniel Galera e Santiago Nazarian.
A mediação dos bate-papos é feita por Moacyr Godoy Moreira, autor de Lâmina do tempo, e República das bicicletas (ambos pela Ateliê Editorial, e à venda na Rato).
Moacyr foi o idealizador do evento, que teve sua origem até mesmo antes da livraria ser inaugurada. Em meio aos cafés que "acompanharam" a obra da Rato, Moacyr nos presenteou com a idéia. Imediatamente aceitamos, e hoje, após meses de maturação do projeto, o Território Nacional está se consolidando como um encontro literário de alto nível, não só pela presença de nomes que despontam no cenário da literatura atual, como também pela sintonia e empatia que emplacou com o público.
Para as próximas edições, o Território Nacional trará diversos nomes que estão em voga na literatura brasileira e, com eles, idéias, opiniões e muita troca de informação.
E para quem gosta de literatura, vem aí outro prato cheio: o Sarau Concurso da Rato. Acompanhe amanhã, neste blog, mais dados deste evento que promete agitar a vida dos apaixonados por letras.
Território Nacional
Hoje, 4 da tarde
Rato de Livraria
r. do Paraíso, 790
Metrô Paraíso
3266-4476
31 julho 2006
Daniel Galera
Um garoto de dez anos, um adolescente de quinze e um cirurgião plástico entediado com o casamento. Ao retratar o protagonista de Mãos de Cavalo em três fases da vida, Daniel Galera constrói uma trama delicada sobre perda e culpa na formação de uma identidade.
Com este texto de apresentação, na quarta capa, Mãos de Cavalo impressiona e marca a estréia de Galera na Cia das Letras. Sem dúvida, um grande momento de um escritor tão novo e com tanto talento.
Neste sábado, às 4 da tarde, Daniel Galera é presença confirmada no Território Nacional na Rato. Haverá também espaço para autógrafos.
Contamos com sua presença!
Mãos de Cavalo
Daniel Galera
Cia das Letras
189 págs.
R$ 34,00
Com este texto de apresentação, na quarta capa, Mãos de Cavalo impressiona e marca a estréia de Galera na Cia das Letras. Sem dúvida, um grande momento de um escritor tão novo e com tanto talento.
Neste sábado, às 4 da tarde, Daniel Galera é presença confirmada no Território Nacional na Rato. Haverá também espaço para autógrafos.
Contamos com sua presença!
Mãos de Cavalo
Daniel Galera
Cia das Letras
189 págs.
R$ 34,00
29 julho 2006
Vem aí o Território Nacional

"Isto não é diversão. Não é para você se divertir. A pena no papel. A faca no estômago. O sexo entre as pernas. O amor no coração. Cada palavra dói tanto em mim quanto em você, ou deveria. Furo seus olhos. Abro seu estômago. Preencho seus espaços, em branco e em vermelho."
Santiago Nazarian, prosador contemporâneo, com vários livros publicados, dentre eles A morte sem nome (Ed. Planeta), de onde retiramos o trecho acima, estará no Território Nacional, na Rato de Livraria, no sábado que vem. Santiago também publicou Feriado de mim mesmo, e está preparando um novo livro a ser editado pela Nova Fronteira.
Aguarde amanhã postagem sobre o autor Daniel Galera (Cia das Letras), que também vai participar do próximo Território Nacional ao lado de Santiago e Moacyr Godoy Moreira, no dia 05, sábado, às 4 da tarde na Rato.
A morte sem nome
Santiago Nazarian
205 págs.
Ed. Planeta
R$ 29,90
Feriado de mim mesmo
Santiago Nazarian
157 págs.
Ed. Planeta
R$ 32,00
Rato de Livraria
r. do Paraíso, 790
Metrô Paraíso
f: 3266-4476
27 julho 2006
Rato em dose dupla neste sábado
Durante o dia, no Espaço dos Satyros, na Praça Roosevelt, assista aos Embates literários e visite o estande da Rato com diversos livros com descontos.
Confira programação no site www.projetoidentidade.org.br
E à noite, abertura da exposição de arte contemporânea de Anike Laurita, na Rato. Cachaça, música e arte. A partir das 20 horas.
Não percam!
Confira programação no site www.projetoidentidade.org.br
E à noite, abertura da exposição de arte contemporânea de Anike Laurita, na Rato. Cachaça, música e arte. A partir das 20 horas.
Não percam!
25 julho 2006
Cavalo perdido e outras histórias
O cavalo perdido e outras histórias é um lançamento da editora CosacNaify, que nos apresenta o escritor uruguaio Felisberto Hernández, pela primeira vez publicado em nossa língua. O livro tem prólogo de Julio Cortázar, posfácio, seleção e tradução de Davi Arrigucci Jr. Com estas informações, o leitor já tem em mãos material suficiente para comprar a obra.
Mas o blog da Rato não ficaria satisfeito apenas com teoria e crítica. Vamos pôr a mão na massa e trazer um pequeno trecho para o leitor se deliciar:
"Na sala de Celina havia muitas coisas que me provocavam o desejo de procurar segredos. Já o fato de estar só num lugar desconhecido era uma delas. Além disso, saber que tudo o que havia ali pertencia a Celina, que ela era tão severa e que reprimiria tão fortemente seus segredos, acelerava em mim uma estranha emoção, o desejo de descobrir ou violar segredos."
O trecho acima é do primeiro conto, que dá título à obra.
Este lançamento está com 20% de desconto na Rato.
De R$ 45 por R$ 36
f: 3266-4476
Mas o blog da Rato não ficaria satisfeito apenas com teoria e crítica. Vamos pôr a mão na massa e trazer um pequeno trecho para o leitor se deliciar:
"Na sala de Celina havia muitas coisas que me provocavam o desejo de procurar segredos. Já o fato de estar só num lugar desconhecido era uma delas. Além disso, saber que tudo o que havia ali pertencia a Celina, que ela era tão severa e que reprimiria tão fortemente seus segredos, acelerava em mim uma estranha emoção, o desejo de descobrir ou violar segredos."
O trecho acima é do primeiro conto, que dá título à obra.
Este lançamento está com 20% de desconto na Rato.
De R$ 45 por R$ 36
f: 3266-4476
22 julho 2006
Culpa e transgressão
Dia desses, o cliente e amigo Élcio Roefero trouxe à Rato um belíssimo texto elaborado exclusivamente para a apresentação de sua palestra na Universidade Federal de Ouro Preto. Fiquei fascinada com a escritura do moço, então tomei o texto emprestado para postá-lo neste blog. Pra quem gosta de Clarice, é mais que um prato cheio, é um manjar dos deuses.
Culpa e transgressão: o gozo do mal ou uma aprendizagem do amor em “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector
O conto “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector (1920-1977), data, inicialmente, de 1964, quando publicado na coletânea A legião estrangeira. Posteriormente, em 1970, o texto foi fragmentado em cinco partes, apresentadas durante cinco semanas no Jornal do Brasil, época em que a autora era cronista daquele veículo. Em 1971, “Os desastres de Sofia” integra, ainda, o volume de contos Felicidade clandestina, que mistura textos inéditos aos textos já publicados em trabalhos anteriores.
Da leitura da obra de Lispector, temos a temática do mal recorrentemente revisitada por suas personagens e narradores. Assim, o sadismo que envolve parte dos seres de Lispector articula-se com a constante subjetividade de seus escritos. Na esteira de importantes estudos que agregam Literatura e Psicanálise, temos como proposta enveredar pela personagem-narradora de “Os desastres de Sofia” e investigar a conturbada e perturbadora relação construída entre ela e seu professor, numa maléfica relação edípica marcada, sobretudo, pelo sentimento de culpa e pelo comportamento transgressor da protagonista.
Num jogo especular, a personagem-narradora procura revelar o professor interiormente, uma vez que também enxerga a si mesma como um invólucro a ser decifrado. Essa identificação entre ambos – ambos desajeitados num mundo feito contra eles – conduz a menina ao incômodo desejo proibitivo de realização amorosa. Sendo assim, busca desesperadamente minimizar quaisquer qualidades do professor, visto que esse amor que sente e repudia – já que a figura do professor evoca a figura paterna – merece, em contrapartida, para a menina, o sadismo da transgressão, configurada como castigo, ao outro e a si mesma, pelo despertar do gozo proibido. Numa frustração de um desejo irrealizável, a protagonista se entrega ao prazer da vingança pela expiação, pelo desejo sádico de maltratar aquele que nela desencadeia “negros sonhos de amor”.
Em síntese, notamos, em “Os desastres de Sofia”, um percurso da construção que cada sujeito faz de si mesmo, numa busca pela satisfação de um desejo instaurado na relação com o Outro. A partir da confluência Literatura/Psicanálise apresentaremos uma leitura do conto de Lispector que, num tom memorialista e confessional, estabelece uma relação privilegiada entre a narradora-personagem e o seu professor. A análise ancora-se nas reflexões teóricas de Sigmund Freud, Jean Bellemin-Noël, Adélia Bezerra de Meneses e Yudith Rosenbaum. Com efeito, vemos em “Os desastres de Sofia” muito mais do que uma narrativa que evidencia um comportamento transgressor: a obra aponta, num lance magistral, para uma aprendizagem do amor, percebida na incompletude e carência da narradora-personagem e seu desejo de ser amada, “suportando o sacrifício de não merecer”.
Élcio é mestrando em Literatura e crítica literária na Puc/SP, bacharel em Letras pela USP, e professor de literatura nas Faculdades Integradas Teresa D’Avila – FATEA.
Culpa e transgressão: o gozo do mal ou uma aprendizagem do amor em “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector
O conto “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector (1920-1977), data, inicialmente, de 1964, quando publicado na coletânea A legião estrangeira. Posteriormente, em 1970, o texto foi fragmentado em cinco partes, apresentadas durante cinco semanas no Jornal do Brasil, época em que a autora era cronista daquele veículo. Em 1971, “Os desastres de Sofia” integra, ainda, o volume de contos Felicidade clandestina, que mistura textos inéditos aos textos já publicados em trabalhos anteriores.
Da leitura da obra de Lispector, temos a temática do mal recorrentemente revisitada por suas personagens e narradores. Assim, o sadismo que envolve parte dos seres de Lispector articula-se com a constante subjetividade de seus escritos. Na esteira de importantes estudos que agregam Literatura e Psicanálise, temos como proposta enveredar pela personagem-narradora de “Os desastres de Sofia” e investigar a conturbada e perturbadora relação construída entre ela e seu professor, numa maléfica relação edípica marcada, sobretudo, pelo sentimento de culpa e pelo comportamento transgressor da protagonista.
Num jogo especular, a personagem-narradora procura revelar o professor interiormente, uma vez que também enxerga a si mesma como um invólucro a ser decifrado. Essa identificação entre ambos – ambos desajeitados num mundo feito contra eles – conduz a menina ao incômodo desejo proibitivo de realização amorosa. Sendo assim, busca desesperadamente minimizar quaisquer qualidades do professor, visto que esse amor que sente e repudia – já que a figura do professor evoca a figura paterna – merece, em contrapartida, para a menina, o sadismo da transgressão, configurada como castigo, ao outro e a si mesma, pelo despertar do gozo proibido. Numa frustração de um desejo irrealizável, a protagonista se entrega ao prazer da vingança pela expiação, pelo desejo sádico de maltratar aquele que nela desencadeia “negros sonhos de amor”.
Em síntese, notamos, em “Os desastres de Sofia”, um percurso da construção que cada sujeito faz de si mesmo, numa busca pela satisfação de um desejo instaurado na relação com o Outro. A partir da confluência Literatura/Psicanálise apresentaremos uma leitura do conto de Lispector que, num tom memorialista e confessional, estabelece uma relação privilegiada entre a narradora-personagem e o seu professor. A análise ancora-se nas reflexões teóricas de Sigmund Freud, Jean Bellemin-Noël, Adélia Bezerra de Meneses e Yudith Rosenbaum. Com efeito, vemos em “Os desastres de Sofia” muito mais do que uma narrativa que evidencia um comportamento transgressor: a obra aponta, num lance magistral, para uma aprendizagem do amor, percebida na incompletude e carência da narradora-personagem e seu desejo de ser amada, “suportando o sacrifício de não merecer”.
Élcio é mestrando em Literatura e crítica literária na Puc/SP, bacharel em Letras pela USP, e professor de literatura nas Faculdades Integradas Teresa D’Avila – FATEA.
20 julho 2006
Resenhas dos russos
Anna Karienina
Mais importante do que falar sobre esta edição, que é traduzida diretamente do russo, mais crucial do que falar de Tolstoi e sua obra máxima, mais essencial do que comentar sobre a encadernação de luxo, com capa dura, caixa lindamente desenhada, do cuidado editorial sempre presente nas edições da Cosac, é trazer aqui uma das aberturas mais famosas da literatura mundial, pois quem gosta e conhece livro sabe que este pequeno trecho por si só é capaz de dizer tudo: “ Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua própria maneira”.
Este livro na Rato está com 20% de desconto!
Ligue e reserve o seu: 3266-4476
Poema Pedagógico
Anton Makarenko (1888-1939) redigiu uma obra única em Poema pedagógico. Se de um lado temos um romance com qualidade literária incontestável, de outro, podemos apreciar o relato de uma experiência radical, singular e bem-sucedida no campo da educação: a Colônia Gorki, na União Soviética.
Este livro, de teor ao mesmo tempo clássico e revolucionário, é de extrema importância para professores, educadores e estudiosos das ciências humanas.
Um trechinho: “ ...Aquele dia tão distante, o meu primeiro dia gorkiano, cheio de ignomínia e impotência, parece-me agora um quadrinho minúsculo no vidrinho estreito de um panorama festivo. Já está mais fácil . Até em muitos pontos da União Soviética se ataram fortes nós de um trabalho pedagógico sério, já o Partido vibra os derradeiros golpes nos últimos ninhos de uma infância infeliz e desmoralizada.”
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Por Paula Fábrio
Mais importante do que falar sobre esta edição, que é traduzida diretamente do russo, mais crucial do que falar de Tolstoi e sua obra máxima, mais essencial do que comentar sobre a encadernação de luxo, com capa dura, caixa lindamente desenhada, do cuidado editorial sempre presente nas edições da Cosac, é trazer aqui uma das aberturas mais famosas da literatura mundial, pois quem gosta e conhece livro sabe que este pequeno trecho por si só é capaz de dizer tudo: “ Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua própria maneira”.
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Poema Pedagógico
Anton Makarenko (1888-1939) redigiu uma obra única em Poema pedagógico. Se de um lado temos um romance com qualidade literária incontestável, de outro, podemos apreciar o relato de uma experiência radical, singular e bem-sucedida no campo da educação: a Colônia Gorki, na União Soviética.
Este livro, de teor ao mesmo tempo clássico e revolucionário, é de extrema importância para professores, educadores e estudiosos das ciências humanas.
Um trechinho: “ ...Aquele dia tão distante, o meu primeiro dia gorkiano, cheio de ignomínia e impotência, parece-me agora um quadrinho minúsculo no vidrinho estreito de um panorama festivo. Já está mais fácil . Até em muitos pontos da União Soviética se ataram fortes nós de um trabalho pedagógico sério, já o Partido vibra os derradeiros golpes nos últimos ninhos de uma infância infeliz e desmoralizada.”
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Por Paula Fábrio
17 julho 2006
Poste de vapor
Na empolgação do sarau leste europeu, que vai rolar neste domingo, dia 23, 5 da tarde, aí vai um trecho pra lá de saboroso do livro Poste de vapor, de Ferenc Molnár, que também escreveu Meninos da rua Paulo.
Primeiramente vale contextualizar: Molnár é de origem húngara, e nesta obra faz um lindo trabalho de metalinguagem. Extraí este trecho da parte em que ele explica de onde tirou a história de poste a vapor. Este pedacinho é o começo da descrição do personagem, e tem como em quase toda literatura do leste europeu a marca da ironia, do cômico, embora muitas vezes densa.
"Na ilha, ele tinha um único amigo de verdade: o farmacêutico. Esta frase requer duas explicações: 1) como se conheceram, e 2)como passaram a gostar um do outro.
Foi assim:
1. Na ilha, no verão, havia muitas aves canoras, mas rouxinol, apenas um: o farmacêutico. O farmacêutico antecipara em décadas o penteado da juventude fascista. Desejaria pentear os cabelos loiros até o céu, e quase conseguira, tal a altura a que havia chegado a cabeleira vaidosa da juventude..."
Poste de vapor
Ferenc Molnár
Cosac Naify
83 páginas
R$ 29,00
Entrega gratuita para o centro expandido de São Paulo.
História da Arte retorna em Setembro
Devido às férias da professora Dani Nastari, as aulas avulsas de História da Arte na Rato estarão de volta no final de setembro. Aguardem, pois os temas já foram selecionados e tem muita coisa interessante pra ver até o fim do ano.
Por Paula Fábrio
Por Paula Fábrio
13 julho 2006
7 motivos bem-humorados pra você sair de casa e ir à Flap
1. Desalienação faz bem ao cérebro e à saúde
2. Conhecer pessoas ligadas à cultura pode ser um programaço, e ainda pode rolar paquera
3. Fazer boas aquisições literárias enriquece não só as suas estantes como também a sua alma
4. Encontrar e conversar com escritores, professores da Usp e não pagar nada por isso
5. Guardar dinheiro para ir a Paraty numa época em que a cidade estará mais limpa, vazia e aconchegante
6. Visitar o Espaço dos Sátyros e conferir a programação das peças
7. Ver o pessoal da Rato por lá: não tem preço!
Pra quem ainda não sabe, a Flap é um evento literário que reúne mesas de embates, feira de livros, entre outras coisas. Esta já é a segunda edição do evento, que estreou em 2005. A Flap é organizada pelo pessoal do Projeto Identidade.
Flap
dias 29 e 30 de julho no Espaço dos Satyros
Pça. Roosevelt, 214
a partir das 10 da manhã
Mas lembre-se: um final de semana antes temos sarau na Rato, no domingo!
Por Paula Fábrio
2. Conhecer pessoas ligadas à cultura pode ser um programaço, e ainda pode rolar paquera
3. Fazer boas aquisições literárias enriquece não só as suas estantes como também a sua alma
4. Encontrar e conversar com escritores, professores da Usp e não pagar nada por isso
5. Guardar dinheiro para ir a Paraty numa época em que a cidade estará mais limpa, vazia e aconchegante
6. Visitar o Espaço dos Sátyros e conferir a programação das peças
7. Ver o pessoal da Rato por lá: não tem preço!
Pra quem ainda não sabe, a Flap é um evento literário que reúne mesas de embates, feira de livros, entre outras coisas. Esta já é a segunda edição do evento, que estreou em 2005. A Flap é organizada pelo pessoal do Projeto Identidade.
Flap
dias 29 e 30 de julho no Espaço dos Satyros
Pça. Roosevelt, 214
a partir das 10 da manhã
Mas lembre-se: um final de semana antes temos sarau na Rato, no domingo!
Por Paula Fábrio
11 julho 2006
Dos lindos lábios para as páginas
"Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” canta a leveza e o peso das histórias de amor.
Em flashes, Marçal Aquino conduz a história do fotógrafo Cauby e de Lavínia, mulher exuberante “tocada por luz e sombra”.
Numa tarde luminosa, no Pará, Cauby é invadido por Lavínia, epifânica, de forma arrebatadora e definitiva, no encontro que marca o início do livro e da imaginação do leitor. Uma mulher que o autor tenta, também, desvendar ao longo da história e que nos surpreende, a todos, até os minutos finais.
Marçal nos remete à singeleza, em momentos de linguagem poética e de sentimento ingênuo, ao mesmo tempo em que escancara o desejo, destemido, como as almas daqueles homens e mulheres sob o sol no garimpo.
É nesse cenário que acompanham os nossos olhos, uma paisagem árida: casa de jagunços, de fanáticos, de loucos e de desprotegidos. Alguns, personagens de pequenos mundos desconhecidos, outros que reconhecemos em nossa imagem no espelho, refletidos.
Mergulhados nas correntezas de um amor proibido, ungido a espuma e pedra, a batizarem a alma e a carne, é na mistura do santo e do profano, do corpo e do corpo, que descobrimos, emocionados e surpresos, onde o amor habita.
Por Débora Tavares
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Marçal Aquino
Cia das Letras
230 páginas
De R$ 39,00 por R$ 35,00
06 julho 2006
Festa desconcertante
A Rato tem o prazer de oferecer seu espaço para a comemoração de 1 ano do site Desconcertos.
Na quinta-feira que vem, dia 13, a partir das 19 horas
entrada franca
POEMAGENS – Um ano do site DESCONCERTOS - Exibição de poemas visuais de Claudinei Vieira e dos poemas animados de Eduardo Rodrigues; participações especiais de várias escritoras e poetas.
Pra quem ainda não conhece o trabalho do Claudinei, vale e muito a pena acessar o site www.desconcertos.com.br e conferir as resenhas, os escritos; o cara sabe muito de cinema, quadrinhos, de tudo!
e amanhã, neste blog, notícias da Flap!
Por Paula Fábrio
Na quinta-feira que vem, dia 13, a partir das 19 horas
entrada franca
POEMAGENS – Um ano do site DESCONCERTOS - Exibição de poemas visuais de Claudinei Vieira e dos poemas animados de Eduardo Rodrigues; participações especiais de várias escritoras e poetas.
Pra quem ainda não conhece o trabalho do Claudinei, vale e muito a pena acessar o site www.desconcertos.com.br e conferir as resenhas, os escritos; o cara sabe muito de cinema, quadrinhos, de tudo!
e amanhã, neste blog, notícias da Flap!
Por Paula Fábrio
03 julho 2006
Machado bebeu ali
Estou lendo Gógol pela primeira vez. O ano é 2006. A edição é de 1972. Dois anos após meu nascimento. A tradução é da Tatiana Belinky. O livro veio de um sebo, pelas mãos de uma menina talentosa, que apresentarei depois.
Capa dura, vermelha. Daquela coleção da Abril que começou apostando nas bancas e terminou correndo prateleiras de usados. O título. Almas Mortas. O estilo. Pra quem não conhece O Inspetor Geral (obra máxima de Gógol), bem diferente do que um autor ucraniano em língua russa inspira e do que o próprio título sugere. Divertido. Autêntico. Daqueles tempos em que o saber escrever era de um respeito inabalável pelo leitor. Os críticos o colocaram na escola naturalista. Mas isso só serve pra atrapalhar o leitor e rotular o autor. O que importa é que Machado bebeu ali. E bebeu bem. E muita gente deveria beber desse licor, que está merecendo uma edição belíssima, com tradução direto do russo, capa moderna - tão contemporânea como o autor.
Estou impressionada. E o mais impensável é que Gógol não chegou a terminar a obra. Jogou no fogo o que seria a segunda parte do livro, publicado graças ao que sobrou dos manuscritos que, por sua vez, se encerram, por assim dizer, sem um adeus sequer, e mesmo com esse detalhe de somenos, a obra agiganta-se a cada página, trazendo razões para provar a divindade das mãos de Gógol.
Almas Mortas fez-me lembrar de Crime e Castigo. Vontade de ler de novo. E de novo. E de me casar com o livro. Preciso urgentemente me saciar com esses russos, conhecer Krudy (húngaro), me debruçar sobre outros escritos de Dostoiévski, observar os banhos com Tchekov, ler Tolstói, Molnar e, por fim, me deleitar com o prazer de um sarau inteirinho dedicado ao leste europeu. Terra de sofrimento. De inteligências e homens raros.
A propósito, a menina talentosa que me emprestou o livro é a Ju Almeida, nossa colaboradora nos saraus.
Minhas próximas leituras, para quem quiser acompanhar:
Companheiro de viagem
Krúdy
Cosac Naify
R$ 43,00
O crocodilo
Dostoiévski
Ed. 34
R$ 29,00
Sarau leste europeu na Rato, pra quem quiser participar:
Dia 23 de julho, domingo, 5 da tarde. Tragam seus textos.
Por Paula Fábrio
19 junho 2006
Oficina de Introdução à Dramaturgia por Paula Chagas
O curso tem como objetivo principal a aproximação do aluno
com o texto dramatúrgico
Método
O trabalho será realizado com textos dramatúrgicos em paralelo com textos jornalísticos, poemas e crônicas, com os quais os alunos estão mais familiarizados. A partir da investigação dessas linguagens é que se aproximarão, também gradativamente, do texto dramatúrgico.
Módulos
O curso divide-se em quatro módulos, desenvolvidos ao longo de quatro aulas.
Na primeira, será abordada a aproximação e a diferenciação de textos dramáticos e jornalísticos.
Na segunda, serão investigadas as aproximações e diferenciações da poesia e da dramaturgia.
Na terceira semana é a vez da prosa e, na quarta, os alunos chegarão finalmente ao estudo específico da dramaturgia.
Para o aluno entender melhor esse universo, será feita a leitura de uma peça por semana e também haverá o acompanhamento de textos teóricos.
As aulas, no entanto, são independentes. O curso pode ser realizado por inteiro ou parcialmente.
Ao final, com a realização de cenas curtas pelos alunos, poderá ocorrer uma apresentação nas dependências da Rato de Livraria, com atores convidados.
CRONOGRAMA:
Duração: Quatro aulas, com duração de três horas.
Início: 01 de julho - sábado.
Horário: Das 10:00 às 13:00.
Investimento: R$ 15,00 a aula
A cada 10 aulas realizadas na Rato, ganhe um vale-livro de R$ 10,00.
Informações e Inscrições:
Rato de Livraria
3266-4476
Marçal Aquino - escritor convidado do Território Nacional
“É assim que você ganha a vida, Brito? Matando gente?”
Marçal Aquino
Neste sábado, 24 de Junho, 5 da tarde, na Rato
A literatura tem um encontro marcado com você: o escritor Marçal Aquino vem à Rato para falar sobre seu processo de criação, seus personagens, suas obras, num bate-papo informal com o público e com o escritor Moacyr Godoy Moreira. Haverá também leitura de trechos das obras do autor e sessão de autógrafos.
Este evento marca a estréia de Território Nacional, uma série de encontros com escritores da literatura brasileira contemporânea.
Pocket show musical
Entrada franca
Neste sábado, 24 de Junho, às 5 da tarde.
Rato de Livraria
r. do Paraíso, 790
3266-4476
15 junho 2006
Pai Goriot

Honoré de Balzac nasceu em 1799, filho de um funcionário público. Entre 1820 e 1824 escreveu algumas novelas sob vários pseudônimos, depois das quais tentou, sem sucesso, ser editor, impressor e tipógrafo. Aos 30 anos, endividado, retornou à literatura com fúria dedicada, e nos vinte anos seguintes escreveu cerca de noventa novelas e contos, aos quais deu o título abrangente de A Comédia Humana, tida como a maior obra épica de sua era. Morreu em 1850, aos 51 anos, poucos meses antes de casar-se com Evelina Hanska, condessa polonesa com quem manteve relações amorosas por dezoito anos.
Pai Goriot é considerada novela-chave na obra de Balzac, mas para compreendê-la não é necessário ter lido qualquer outro volume da Comédia.
Imensa fertilidade mental do autor, a amplitude da sua compreensão e a extensão e multiplicidade de seus interesses refletem todos os aspectos e esferas da atividade humana – homens e mulheres que sobreviveram às guerrilhas civis da Revolução Francesa e ao império de Napoleão, numa época de mudanças importantes nas condições sociais e nos valores de todos os tipos.
Balzac queria expor as forças motivadoras que dirigem homens e mulheres ao longo de suas vidas e mostrar como a estrutura social constrange tais forças enquanto é, ela própria, afetada.
Balzac era um gênio, e estava interessado em registrar o entorno das pessoas – a arquitetura de suas casas, móveis, pinturas, a comida e as roupas – não só a fim de determinar seu tempo e espaço, mas porque o entorno seria uma extensão da personalidade e uma força moldadora.
Trata-se de um romance de formação com lances de tragicomédia. A novela se passa na pensão de Madame Vauquer, em Paris, no ano de 1819. Vemos a cidade pelos olhos do ingênuo e ambicioso estudante Eugéne de Rastignac, hóspede da pensão.
Goriot, também hóspede, é um velho aposentado, outrora próspero, mas que, em virtude do excessivo amor paterno vive em privação, pois todos os recursos são usados na sustentação dos altos caprichos de suas filhas, damas da sociedade parisiense.
Os outros hóspedes são tipos humanos descritos como desprezíveis, com exceção do vilão Vautrin, personagem brilhante e a própria encarnação da força do mal, que tenta o jovem Eugéne com suas teorias rousseaunianas. Não consegue fazer de Eugéne seu discípulo, porém o influencia fortemente.
Acompanhamos o desdobramento gradual da personalidade de Eugéne em seu primeiro ano em Paris, e somos levados a cenários tão díspares quanto quartos e becos miseráveis, mansões e bailes de gala.
Pai Goriot é típica em sua maravilhosa vitalidade e perspicácia, e seu profundo tratamento de duas obsessões tão humanas e ardentes: dinheiro e amor.
por Ju Almeida
Você encontra esse livro na Rato de Livraria por R$34,60

Honoré de Balzac nasceu em 1799, filho de um funcionário público. Entre 1820 e 1824 escreveu algumas novelas sob vários pseudônimos, depois das quais tentou, sem sucesso, ser editor, impressor e tipógrafo. Aos 30 anos, endividado, retornou à literatura com fúria dedicada, e nos vinte anos seguintes escreveu cerca de noventa novelas e contos, aos quais deu o título abrangente de A Comédia Humana, tida como a maior obra épica de sua era. Morreu em 1850, aos 51 anos, poucos meses antes de casar-se com Evelina Hanska, condessa polonesa com quem manteve relações amorosas por dezoito anos.
Pai Goriot é considerada novela-chave na obra de Balzac, mas para compreendê-la não é necessário ter lido qualquer outro volume da Comédia.
Imensa fertilidade mental do autor, a amplitude da sua compreensão e a extensão e multiplicidade de seus interesses refletem todos os aspectos e esferas da atividade humana – homens e mulheres que sobreviveram às guerrilhas civis da Revolução Francesa e ao império de Napoleão, numa época de mudanças importantes nas condições sociais e nos valores de todos os tipos.
Balzac queria expor as forças motivadoras que dirigem homens e mulheres ao longo de suas vidas e mostrar como a estrutura social constrange tais forças enquanto é, ela própria, afetada.
Balzac era um gênio, e estava interessado em registrar o entorno das pessoas – a arquitetura de suas casas, móveis, pinturas, a comida e as roupas – não só a fim de determinar seu tempo e espaço, mas porque o entorno seria uma extensão da personalidade e uma força moldadora.
Trata-se de um romance de formação com lances de tragicomédia. A novela se passa na pensão de Madame Vauquer, em Paris, no ano de 1819. Vemos a cidade pelos olhos do ingênuo e ambicioso estudante Eugéne de Rastignac, hóspede da pensão.
Goriot, também hóspede, é um velho aposentado, outrora próspero, mas que, em virtude do excessivo amor paterno vive em privação, pois todos os recursos são usados na sustentação dos altos caprichos de suas filhas, damas da sociedade parisiense.Os outros hóspedes são tipos humanos descritos como desprezíveis, com exceção do vilão Vautrin, personagem brilhante e a própria encarnação da força do mal, que tenta o jovem Eugéne com suas teorias rousseaunianas. Não consegue fazer de Eugéne seu discípulo, porém o influencia fortemente.
Acompanhamos o desdobramento gradual da personalidade de Eugéne em seu primeiro ano em Paris, e somos levados a cenários tão díspares quanto quartos e becos miseráveis, mansões e bailes de gala.
Pai Goriot é típica em sua maravilhosa vitalidade e perspicácia, e seu profundo tratamento de duas obsessões tão humanas e ardentes: dinheiro e amor.
por Ju Almeida
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06 junho 2006
Copa do Mundo na Rato
Os melhores livros sobre futebol, com 20% de desconto!
22 contistas em campo
Ediouro
De R$ 29,90 por R$ 23,92
172 págs.
Antologia de contos organizada por Flavio Moreira da Costa. Entre os escritores, João Ubaldo Ribeiro, Rachel de Queiroz, Hilda Hilst, Rubem Fonseca e Moacyr Scliar.
Charles Miller - o pai do futebol brasileiro
Ed. Nova Alexandria
De R$ 37,90 por R$ 30,32
236 págs.
Por meio de um relato apaixonado, John Mills traça a biografia deste ícone da história do futebol no país, com fotos antigas e texto desenvolvido a partir de material colhido desde os primórdios da carreira de Charles Miller.
Ronaldo - Glória e drama no futebol globalizado
Ed. 34
De 36,00 por R$ 28,80
318 págs.
Um livro que conta a história do jogador "Fenômeno", ilustrado com fotografias. O destaque fica por conta do tom sociológico dado pelo autor, Jorge Caldeira, a respeito da globalização do futebol e dos aspectos da cultura futebolística de times e dirigentes no Brasil.
11 histórias de futebol
Ed. Nova Alexandria
De 29,00 por R$ 23,20
140 págs.
Contos de João Antonio, Daniel Piza, Domingos Pellegrini e José Roberto Torero, dentre outros nomes ilustres da literatura brasileira.
Goleiros
Alameda Casa Editorial
De R$ 48 por R$ 38,40
281 págs.
Ilustrações de Baptistão
O autor, Paulo Guilherme, jornalista esportivo, faz uma inteligente narrativa sobre os fatos que contaram a história da posição de goleiro, inclusive com fatos curiosos: por exemplo, o goleiro foi o último personagem introduzido no futebol, até a figura do juiz já havia sido criada antes. Além de fotos pxb e coloridas, o livro também traz estatísticas sobre todos os goleiros.
Melhor time do mundo
CosacNaify
De R$ 37 por R$ 29,60
141 págs.
Livro infanto-juvenil
Autor: Jorge Viveiros de Castro
Livro de contos para jovens torcedores, com ilustrações modernas de Daniel Bueno, ganhador do Prêmio HQ Mix de revelação do ano. O título inclui curiosidades sobre copas do mundo e coisas surpreendentes sobre outras culturas e países distantes.
Anjos Brancos - bastidores do Real Madrid
Relume Dumará
De R$ 44,90 por R$ 35,92
324 págs.
John Carlin, jornalista do El Pais, conta a história do Real Madrid, time que colocou na prática a ideologia do novo futebol.
Ofertas válidas até 17 de junho.
Não vale para pontos no Clube do Rato.
Entrega gratuita não é válida para estes livros.
Confira nossa taxa de entrega ou venha buscar seu exemplar pessoalmente
22 contistas em campo
Ediouro
De R$ 29,90 por R$ 23,92
172 págs.
Antologia de contos organizada por Flavio Moreira da Costa. Entre os escritores, João Ubaldo Ribeiro, Rachel de Queiroz, Hilda Hilst, Rubem Fonseca e Moacyr Scliar.
Charles Miller - o pai do futebol brasileiro
Ed. Nova Alexandria
De R$ 37,90 por R$ 30,32
236 págs.
Por meio de um relato apaixonado, John Mills traça a biografia deste ícone da história do futebol no país, com fotos antigas e texto desenvolvido a partir de material colhido desde os primórdios da carreira de Charles Miller.
Ronaldo - Glória e drama no futebol globalizado
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De 36,00 por R$ 28,80
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Um livro que conta a história do jogador "Fenômeno", ilustrado com fotografias. O destaque fica por conta do tom sociológico dado pelo autor, Jorge Caldeira, a respeito da globalização do futebol e dos aspectos da cultura futebolística de times e dirigentes no Brasil.
11 histórias de futebol
Ed. Nova Alexandria
De 29,00 por R$ 23,20
140 págs.
Contos de João Antonio, Daniel Piza, Domingos Pellegrini e José Roberto Torero, dentre outros nomes ilustres da literatura brasileira.
Goleiros
Alameda Casa Editorial
De R$ 48 por R$ 38,40
281 págs.
Ilustrações de Baptistão
O autor, Paulo Guilherme, jornalista esportivo, faz uma inteligente narrativa sobre os fatos que contaram a história da posição de goleiro, inclusive com fatos curiosos: por exemplo, o goleiro foi o último personagem introduzido no futebol, até a figura do juiz já havia sido criada antes. Além de fotos pxb e coloridas, o livro também traz estatísticas sobre todos os goleiros.
Melhor time do mundo
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Livro infanto-juvenil
Autor: Jorge Viveiros de Castro
Livro de contos para jovens torcedores, com ilustrações modernas de Daniel Bueno, ganhador do Prêmio HQ Mix de revelação do ano. O título inclui curiosidades sobre copas do mundo e coisas surpreendentes sobre outras culturas e países distantes.
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John Carlin, jornalista do El Pais, conta a história do Real Madrid, time que colocou na prática a ideologia do novo futebol.
Ofertas válidas até 17 de junho.
Não vale para pontos no Clube do Rato.
Entrega gratuita não é válida para estes livros.
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História da Arte
Aulas avulsas. Não tem uma sequência obrigatória.
Tema da aula deste sábado: Escola de Paris
Arte no período entre-guerras na capital francesa
sábado, dia 10 de Junho, às 15:00 horas.
Investimento: R$ 10,00
Duração: 2 horas
por Dani Nastari, experiente arte-educadora
graduada pela FAAP
Participe das oficinas da Rato:
a cada dez participações ganhe um vale-livro de R$ 10,00.
Inscrições
Rato de Livrariar.
R. do Paraíso, 790
Perto do Metrô Paraíso
3266-4476
Tema da aula deste sábado: Escola de Paris
Arte no período entre-guerras na capital francesa
sábado, dia 10 de Junho, às 15:00 horas.
Investimento: R$ 10,00
Duração: 2 horas
por Dani Nastari, experiente arte-educadora
graduada pela FAAP
Participe das oficinas da Rato:
a cada dez participações ganhe um vale-livro de R$ 10,00.
Inscrições
Rato de Livrariar.
R. do Paraíso, 790
Perto do Metrô Paraíso
3266-4476
05 junho 2006
Deleite
Nunca vou me esquecer da primeira vez que Ana Leite veio à livraria. Ela saiu cantando bem baixinho, junto com o Zé Modesto ao violão, lá do fundo da casa, e, quando chegou em meio ao público do sarau, fêz-se silêncio imediatamente. O ambiente impregnou-se de uma melodia de seda, de sonho acariciado, mãe acalentando o filho.
Naquele momento, agradeci a Deus pelo presente. Após dias e noites terríveis, coisas de um passado ainda doído e irrefletido, a voz de Ana Leite sobrevinha feito brisa, doce em tarde chuvosa, num misto de paz e prazer. Deleite.
E, hoje, após um show muito brasileiro em renomada casa de espetáculos, ainda sou capaz de ouvir sua voz como da primeira vez - aconchego -, cuidando para manter viva, prendendo entre minhas mãos, essa sensação que vulgarmente costumamos chamar...Felicidade.
Parabéns mais uma vez, Ana Leite.
Paula Fábrio
Rato de Livraria.
Naquele momento, agradeci a Deus pelo presente. Após dias e noites terríveis, coisas de um passado ainda doído e irrefletido, a voz de Ana Leite sobrevinha feito brisa, doce em tarde chuvosa, num misto de paz e prazer. Deleite.
E, hoje, após um show muito brasileiro em renomada casa de espetáculos, ainda sou capaz de ouvir sua voz como da primeira vez - aconchego -, cuidando para manter viva, prendendo entre minhas mãos, essa sensação que vulgarmente costumamos chamar...Felicidade.
Parabéns mais uma vez, Ana Leite.
Paula Fábrio
Rato de Livraria.
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