29 janeiro 2006



“Cachaça não atrapalha
o pensamento de ninguém;
se tua cabeça falha,
outro problema ela tem!

...

Cachaça areja a cabeça
e ventila o coração.
Pode ser com mel, canela,
guaraná, cravo, limão,

ou outras ervas que queiras,
as de tua predileção.
Vai "comendo" pelas beiras,
não precisa afobação!”

(Miká)

A Rato de Livraria convida para o lançamento e degustação das cachaças Prateleiras e Agulhas Negras, produzidas na região de Rezende (RJ), onde ficam os picos que emprestam seus nomes a essas maravilhosas bebidas.

Venha saber mais sobre a história da cachaça e sua produção no Brasil. E para completar o clima regional, haverá Exposição de Artesanato de Barro do Vale do Jequitinhonha (MG), berço da criatividade com barro, que originou peças mundialmente conhecidas, como as bonecas de Dona Isabel.

Dia 11 de fevereiro - sábado

16h

Rato de Livraria

r. do Paraíso 790

3266 4476

Entrada franca


23 janeiro 2006

Laura Bacellar é escritora e organizou por bastante tempo um sarau só de mulheres no extinto grupo umas&outras. No final de 2005 deu uma oficina de escrita criativana Rato, direcionada exclusivamente para a criação de ficção com temática lésbica. Leia abaixo um de seus artigos a respeito da origem da palavra e da relutância das mulheres em usá-la para se definirem como mulheres que gostam de mulheres.

a palavra lésbica

muitas mulheres acham que a palavra lésbica soa mal, declarando-se
desconfortáveis com ela. de fato, o som ésb não é dos mais lindos, mas experimente dizer zoológico em voz alta. e que tal umbigo? analgésico?
e o azerbaijão, vizinho do uzbequistão e do tadjiquistão?

a língua portuguesa tem mesmo alguns sons pouco poéticos, mas não é por isto que dizemos parque dos animais, botão no meio da barriga ou ignoramos as repúblicas da antiga união soviética, não é verdade?

usamos as palavras no dia a dia pela sua precisão de sentido e associação de imagens que provocam. nesses quesitos, a palavra lésbica é muito melhor do que as alternativas.

veja por exemplo o termo entendida. ele tem a vantagem de ser brasileiro, criado por nossa cultura em lugar de traduzido de outra língua. mas nasceu
nos guetos das grandes cidades dos anos 70, quando ninguém ousava se definir abertamente e precisava de um código para se fazer "entender". entendida em quê? nos lugares recônditos onde as pessoas sem nome se reuniam, em secreta
resistência à ditadura das idéias e dos costumes.

é uma imagem de coragem – afinal, a ditadura existiu e perseguiu mesmo quem era diferente da norma – mas também lembra o subterfúgio, a preferência pelo esquivar-se a assumir uma identidade pública e natural.

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09 janeiro 2006

O fundo do mar

A reclusão é o meu rosto triste
é a flor onze horas
e o sol que ela fecha
é
a minha pálpebra quando orvalha

A reclusão é o meu rosto fechado
é a madrugada emudecida
e a lua que ela abre
é
a minha boca quando cala

A reclusão será meu rosto sereno
serão a chuva na telha
e a gota na folha
serão minhas mãos, na lembrança das tuas

por Débora Tavares

15 dezembro 2005

MILÁGRIMAS

Apresentação show de Débora e Cristiane Tavares no Sarau Musical da Rato, misturando música e poesia, com base no texto de uma peça que tá rolando no Sesc Pinheiros.


MILÁGRIMAS

(Alice Ruiz / Itamar Assunção)

Em caso de dor ponha gelo

Mude o corte do cabelo

Mude como modelo

Vá ao cinema

Dê um sorriso ainda que amarelo

Esqueça seu cotovelo

Se amargo for já ter sido

Troque já esse vestido

Troque o padrão do tecido

Saia do sério

Deixe os critérios

Siga todos os sentidos

Faça fazer sentido

A cada mil lágrimas sai um milagre

Em caso de tristeza vire a mesa

Coma só a sobremesa

Coma somente a cereja

Jogue para cima

Faça cena

Cante as rimas de um poema

Sofra apenas, viva apenas

Se é só fissura ou loucura

Quem sabe casando cura

Ninguém sabe o que procura

Faça uma novena, reze um terço

Caia fora do contexto

Invente seu endereço

A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal

Chorar for inevitável

Sinta o gosto do sal, do sal

Sinta o gosto do sal

Gota a gota, uma a uma

Duas, três, dez, cem mil lágrimas

Sinta o milagre

A cada mil lágrimas sai um milagre...










06 dezembro 2005

O Sarau Musical do Rato tem mais uma atração!


O músico Zé Modesto vai cantar junto com Ana Leite algumas canções do seu cd Esteio. Música brasileira de excelente qualidade. Novidades para os ouvidos.
Neste domingo, às 17 horas, na Rato de Livraria.
Rua do Paraíso, 790
Entrada franca.

abraços do pessoal da Rato, e aguardem novas postagens.

05 dezembro 2005

Presenças confirmadíssimas!

Confirmaram presença no Sarau Musical do Rato os escritores Ivana Arruda Leite e Moacyr Moreira (que vai dar uma palhinha apresentando sua faceta musical, com "Vitrines" e "Tatuagem", do Chico).
Também estão cofirmados os amigos Claudinei Vieira e Wilson (Foca) do site Desconcertos.
E a lista não pára por aí. Aguardem novas postagens.

abraços do pessoal da Rato

01 dezembro 2005

Vem aí o Sarau Musical do Rato


Dia 11 de dezembro, domingo, a partir das 17h, várias apresentações musicais na Rato de Livraria. Com a presença muito especial de Mauricio Baraças, que mesclará canções originais com poesias musicadas pelos principais nomes da MPB. A cantora Danile também dedicará a noite ao lirismo de poemas de Chico e Vinicius.
Acompanhem neste blog, ao longo da semana, a lista de convidados especiais.
Preparem seus textos e tragam os amigos. A entrada é franca.
Rato de Livraria
Rua do Paraíso, 790.
f: 3266-4476

Por Paula Fábrio

30 novembro 2005

Vale-presente do Rato.

Para os autênticos Lite-Ratos!
Você estipula o valor, a partir de R$ 25,00.
E ainda ganha 10% de desconto na sua próxima compra*

11 novembro 2005

Poema de amor - I



Me gusta cuando me miras
Con lágrimas en los ojos
Después de haberte arriesgado
Por mis aguas navegado
Más te mojas con mi sangre
Más te siento con el alma
Cuando me encuentras revuelta
Hasta que me vuelves calma.

Tú me buscas en tus sueños
Y me sientes por tus manos
Cada vez que voy y vengo
- Marullo del océano –
Yo te envuelvo con mis olas
Mar de fondo de tu cuerpo
Hasta que estás mareado
Hasta que te tengo muerto.

Y mirando tu reflejo
En mi espejo, nace el día
No se ve más que la espuma
Yace bruma, se hace fría
Magia efímera, te pierdes
En el mismo momento de colmo
Ya no somos más los mismos
No sabemos más quienes somos.

Por Geórgia Rodriguez

09 novembro 2005

Noite de autógrafos foi um sucesso!


Mais de 80 pessoas prestigiaram a noite de autógrafos
do lançamento do livro O Eremita, de Marco Pardini.

08 novembro 2005

Lite-ratos

(Dedicado aos da espécie)

trabalhamos
com a firula
com a finura
com o estreito
com o sinônimo
e com o sujeito

trabalhamos
com o conceito
com o ato de fala
com o ato fálico
com o ato falho
trabalhamos
com a precisão
com o sistema

trabalhamos
com o outro
com o mesmo
trabalhamos
com o luto
com a perda
com a puta

trabalhamos
com o que há fora
trabalhamos
com o que há em nós
trabalhamos
com o touro e com o tempo
trabalhamos
roendo a palavra por dentro

Por Célia Genovez

31 outubro 2005

Um domingo peculiar

Extraído do blog do Leco Peres:

" Acordei, descarreguei, me limpei, limpei o cachorro, notei a semelhança entre os dois produtos, e prossegui para o ato cívico da semana. No caminho, o sempre maldito trânsito infernal, e sonhos digressivo-fugidios de desobediência civil não-realizados. No colégio eleitoral, abençoada seção que nunca tem fila, deparei-me com pessoas sérias ou concentradas- seria por causa do mau-humor, ou da bem-sucedida “sisudez” que precede o ato democrático?
A tarde correu lenta e preguiçosa, até que chegou a hora do
Sarau Erótico do Rato de Livraria..."

leia o restante do post no http://lecospirose.blogspot.com/

O sarau do Rato foi um sucesso!














E o 3o. sarau do Rato - o Sarau Erótico - foi um sucesso que reuniu mais de 60 pessoas no último dia 23 de outubro. Contamos com a presença especial do escritor Marcelino Freire e da poeta Mariana Ianelli, além dos músicos e do público que colaborou com leituras interessantes de trechos e poemas cheios de erotismo. Obrigado a todos!

03 outubro 2005

Poema Expresso

Dizem que o tempo voa
Mas tempo tem asa?
Todo mundo corre atrás do tempo
Corre, corre, corre
E nunca chega
O tempo passa
E que raio é esse de tempo?
Nunca pára!
Tempo pra lavar, passar, cozinhar
Tempo pra trepar
Tempo pra gozar
Tempo pra esperar
Tempo pra dormir
Tempo pra que?
Tempo pra nada!

Isabelle Dujour

27 setembro 2005

Cântigo Negro




"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o
Longe e a
Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha
Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Este poema foi lido por um dos participantes do último sarau do dia 25 de setembro.Como ele próprio mencionou que não se lembrava corretamente, pesquisei e encontrei o autor e o texto completo
Abraços
Mariane Alves

21 setembro 2005

Ecos do passado

Era noite e chovia.
Os três estalidos, secos como tiros, ecoaram pela casa e me acordaram. Tive certeza que vieram do andar de baixo. Senti medo e o primeiro pensamento foi para meu foi meu pai, vou chamar meu pai, e tateando no escuro alcancei a porta. Assim que pisei no corredor, novos estalidos, dessa vez quatro. Fiquei imóvel. Quando a respiração se acalmou, deslizei rente à parede, por toda a distância que me separava do outro aposento. Esses velhos casarões foram construídos para gente valente, foi o que pensei envergonhado, e como numa confirmação, o primeiro trovão estrugiu , fazendo com que eu disparasse em meio à escuridão, correndo como louco. Precisava chegar ao quarto de meu pai. E a voz da Dinda que repetia sem parar o esse menino não come, é fraquinho, parece uma sombra. E a minha própria voz me recriminava, bem feito, quem mandou não dar ouvidos, enquanto minhas pernas mal me sustentavam.
Finalmente, a porta. Girei a maçaneta. Trancada. Por que será que eles se trancam todas as noites e me deixam só? Quase em pânico, tentei de novo e dessa vez a porta cedeu. Pai, sussurrei, Pai, acorda, tem gente lá em baixo. Pai? Naquele instante, um raio iluminou a cama vazia, nem ele, nem ela, a cama intocada. As lágrimas escorrendo, procurei em volta, penetrei nos cantos de sombra do aposento imenso. Nada. A dor do abandono quase suplantando o terror da noite, decidi voltar para meu quarto, lá estaria mais seguro.
No corredor novamente, ouvi degraus que rangiam. Sim, bem lá embaixo, alguém começava a subir, a madeira cansada da velha escadaria reclamando a cada passo. Nessa hora respondi mentalmente à Dinda que ser mirrado tem lá suas vantagens: pelo menos podia andar nas largas tábuas do chão quase sem barulho. Queria ver se fosse meu primo, corpulento e valentão, estaria em maus lençóis numa hora dessas.. Alcancei o quarto, estranhei a porta estar fechada, vai ver que foi o vento. Juntando coragem, virei a maçaneta devagarinho e a porta se abriu, coincidindo com o rugido zangado de um trovão que acabava de estourar ali por perto. Fechei rápido a porta e corri para a cama. Puxei a coberta por cima da cabeça e fiquei rezando as rezas que a Dinda me ensinou. Ai, por que eu lembrava justo da Dinda que morrera não fazia nem um mês, o caixão lá na sala, os círios ardendo, eu e o primo esticando os olhos, curiosos para ver cara de defunto. Lembrei do toque frio da mão dela sob a minha, quase podia sentir, só toquei para provar ao primo valentão que eu não era nenhum magricela medroso, não. Muda de pensamento, ordenei a mim mesmo, e comecei a contar carneirinhos: um, dois, três. Estalos. Será a Dinda que veio me buscar? Todo mundo dizia que eu era o predileto. Besteira, morto não volta. Quem disse que não, contradisse a Jurema, enquanto batia um bolo para as visitas que vinham para o velório, ainda mais morto que morre em casa. Cala a boca, pensa nos carneirinhos. Cadê o Pai, meu Deus, ele sabe que eu tenho medo, por que saiu e me deixou sozinho? Estalos e rangidos, eu podia distinguir claramente, os rangidos já estavam no alto da escada, cada vez mais perto, chegando à minha porta. Apertei os olhos com força e rezei uma Salve Rainha inteira, sem errar nem esquecer nada.
Acordei ainda de noite, a chuva caindo forte, a mão me sacudindo com urgência e falando baixinho: –Pai, acorda, tem gente lá embaixo.
Jeanete Rozsas

08 setembro 2005

Mostra Máscaras e Pinturas

Pessoal,
A mostra de máscaras e pinturas, por Verenice Pratha, continuará na Rato de Livraria até dia 24 de setembro.
As visitas podem ser feitas de segunda a sábado, das 10 às 18 horas.
Sejam bem-vindos.
abraços,
Paula e Viviane
3266-4476.