26 setembro 2007

Só para fumantes


Só para fumantes
Julio Ramón Ribeyro
Seleção, tradução e posfácio: Laura Janina Hosiasson
Prólogo: Alfredo Bryce Echenique
Brochura
304 páginas; 0,33 kg;
ISBN 978-85-7503-582-5
Publicação: ago. 2007
R$ 45,00

Este é o primeiro livro do peruano Julio Ramón Ribeyro (1929-1994) publicado no Brasil. Os oito contos que o compõe foram escolhidos por Laura Janina Hosiasson - que também é responsável pela tradução e pelo posfácio da edição - e são representativos de diferentes momentos da produção do autor; do seu primeiro livro Los gallinazos sin plumas (Urubus sem plumas), de 1955, até Relatos santacrucinos, de 1992.
Freqüentemente mencionado como o maior contista peruano, Ribeyro, um autor ainda a ser descoberto pela maioria dos leitores brasileiros, vai da narrativa breve e concisa, em que recupera casos familiares de tios e tias da classe média limenha, a contos que estão na fronteira com a novela, como o que dá título ao volume. Nele, o autor percorre a história de sua vida, dividindo-a conforme a marca de cigarro que fumava em cada época - sua paixão pelo tabaco acabou contribuindo para sua morte ocorrida em 1994, dias depois de receber o Prêmio Juan Rulfo pelo conjunto da obra. Pode-se encontrar, ainda, narrativas de cunho social que descrevem a vida nas periferias da América Latina.
Este é o terceiro volume da coleção Prosa do Observatório que reúne textos e ensaios fundamentais de autores hispano-americanos e brasileiros.

O cavalo perdido e outras histórias


O cavalo perdido e outras históriasFelisberto Hernández
Seleção, tradução e posfácio: Davi Arrigucci Jr.
Prólogo: Julio Cortazar
Brochura
232 páginas; 5 ilustrações;
13 x 19 cm; 0,25 kg;
ISBN 85-7503-522-3
Publicação: jul. 2006
R$ 45,00

Oito contos inéditos do uruguaio Felisberto Hernández (1902-1964), autor cultuado por Julio Cortázar, Italo Calvino e Juan Jose Saer, que finalmente chegam ao Brasil, mais de quarenta anos depois de sua morte. Uma verdadeira novidade literária no país.
O narrador dos livros de Felisberto em geral é pianista ou escritor - apenas um dos pontos em comum com a vida do autor -, circula por espaços úmidos e decadentes, povoados por personagens extravagantes. Não raro, sensualidade e humor invadem os ambientes e personagens de maneira difusa e desconcertante. A estranheza das situações e da própria maneira de narrar é estruturada em longos fluxos de consciência, que nem sempre parecem ter rumo certo, em imagens que ora evocam o surrealismo, ora o realismo fantástico.
Um autor que recusa rótulos, segundo o tradutor do livro Davi Arrigucci Jr.

A invenção de Morel



A invenção de Morel
Adolfo Bioy Casares
Tradução: Samuel Titan Jr.
Prólogo: Jorge Luis Borges
Posfácio: Otto Maria Carpeaux
Brochura
136 páginas; 1 ilustrações;
13 x 19 cm; 0,16 kg;
ISBN 85-7503-479-0
Publicação: mar. 2006
R$ 39,00

O primeiro título da coleção Prosa do Observatório - coordenada pelo escritor e crítico Davi Arrigucci Jr. - resgata um livro cultuado pela crítica internacional, figurando freqüentemente em listas dos "cem volumes fundamentais da literatura universal". O livro celebrizou o argentino Adolfo Bioy Casares (1914-99), cuja escrita foi intensamente admirada por seus compatriotas e contemporâneos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, que afirma no prólogo do romance: "Discuti com o autor os pormenores da trama e a reli; não me parece uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la de perfeita".
Na trama, que serviu como argumento para diversos filmes, o leitor acompanha a trajetória de um homem que, condenado por motivos políticos, foge para uma ilha deserta do Pacífico conhecida por ser foco de uma epidemia letal. Lá encontra máquinas misteriosas e um grupo de turistas, que se diverte sem tomar conhecimento de sua presença. O refugiado apaixona-se por uma das mulheres do grupo e então descobre Morel, inventor de uma máquina de imagens que reproduz realidades passadas.
Autor de vasta obra, Bioy Casares recebeu prêmios internacionais como a Légion d'Honneur da França (1981) e o Prêmio Cervantes (91). Dele, esta editora irá publicar Histórias fantásticas e Diário da guerra do porco.

O passado


O passado
Alan Pauls
Tradução: Josely Vianna Baptista
Capa dura
480 páginas; 15,5 x 23 cm; 0,79 kg;
ISBN 978-85-7503-594-8
Publicação: mai. 2007
R$ 55,00

O fim do amor é o tema deste romance do argentino Alan Pauls (1959), "um dos melhores escritores latino-americanos vivos", nas palavras de outro autor latino-americano, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003).
Depois de doze anos de casamento, Rímini e Sofía têm de encarar a separação e aprender a lidar com o que ficou para trás. O que fazer com as centenas de fotos - momentos congelados, mas ainda pulsantes, de uma história viva - que jazem em duas grandes caixas de papelão? Mas o passado não passa e torna-se um pesadelo, um incômodo, uma aflição.
Os diversos filmes evocados no livro, como Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, e A história de Adèle H, de François Truffaut, inspiraram o projeto gráfico que por meio de fotografias de cenas e objetos nos remete às lembranças do casal protagonista.
Para o escritor Reinaldo Moraes, autor da quarta capa do livro, a prosa de Pauls que faz "o tempo recuar ou se dispersar em outras dimensões, numa operação ao mesmo tempo lúdica e rigorosa, lembra um Proust que tivesse lido Cortázar".
Em 2003, a obra recebeu o prestigioso prêmio Herralde, concedido para livros de ficção em língua espanhola e, no final de 2007, o cineasta Hector Babenco deve lançar filme homônimo baseado no livro.

Histórias fantásticas


Histórias fantásticas
Adolfo Bioy Casares
Tradução: José Geraldo Couto
Capa dura
304 páginas; 7 ilustrações;
16 x 23 cm; 0,54 kg;
ISBN 85-7503-551-7
Publicação: set. 2006
R$ 46,00


O livro reúne catorze contos do escritor argentino Bioy Casares, publicados entre 1948 e 1969. O volume abre a série da Cosac Naify especialmente dedicadada às obras do autor.
Essas Histórias Fantásticas são permeadas de um fascínio pela cultura antiga e também por uma perplexidade diante da ciência e do comportamento moderno. Há mistérios que são tramados ao redor de referências a lendas celtas e deuses pagãos, enquanto outros contos incluem seres alienígenas e tecnologias sinistras, capazes, por exemplo, de absorver e perpetuar a alma de um ser vivo. Essas investigações e exercícios de fantasia são marcados por uma erudição que envolve o leitor, sem nunca escorregar para o exibicionismo.
A pesquisa iconográfica enriquece a edição e traz fotos selecionadas no Arquivo Nacional da Argentina e de álbuns de família.
O apêndice do livro traz ainda comentários sobre o autor e um resumo do enredo de cada conto, bem como esclarecimentos pontuais sobre referências culturais e intertextualidade. Há também uma lista das adaptações cinematográficas dos contos e uma boa bibliografia de Bioy. A obra ganhou a tradução cuidadosa e inspirada de José Geraldo Couto.

23 junho 2007

03 abril 2007

VITRINE DE LANÇAMENTOS RATO DE LIVRARIA

O PASSADO
Alan Pauls
Cosac Naify
Romance argentino
R$ 55,00
O fim do amor é o tema deste romance do argentino Alan Pauls (1959), "um dos melhores escritores latino-americanos vivos", nas palavras de outro autor latino-americano, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003).
Depois de doze anos de casamento, Rímini e Sofía têm de encarar a separação e aprender a lidar com o que ficou para trás. O que fazer com as centenas de fotos - momentos congelados, mas ainda pulsantes, de uma história viva - que jazem em duas grandes caixas de papelão? Mas o passado não passa e torna-se um pesadelo, um incômodo, uma aflição.
Os diversos filmes evocados no livro, como Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, e A história de Adèle H, de François Truffaut, inspiraram o projeto gráfico que por meio de fotografias de cenas e de objetos nos remete às lembranças do casal protagonista.
Para o escritor Reinaldo Moraes, autor da quarta capa do livro, a prosa de Pauls que faz "o tempo recuar ou se dispersar em outras dimensões, numa operação ao mesmo tempo lúdica e rigorosa, lembra um Proust que tivesse lido Cortázar".
Em 2003, a obra recebeu o prestigioso prêmio Herralde concedido para livros de ficção em língua espanhola.

CASA DE ENCONTROS
Martin Amis
Tradução: Rubens Figueiredo
Cia das Letras
Romance inglês
R$ 39,50
Em Casa de Encontros, Martin Amis se vale de recursos ficcionais para revelar dimensões obscuras do totalitarismo. O livro narra o acerto de contas de um velho russo com um passado que ainda o assombra. Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, ele esteve confinado durante mais de dez anos num campo de trabalhos forçados na Sibéria, acusado de traição política. Quase cinqüenta anos depois, rico e repatriado nos Estados Unidos, ele volta ao país de origem e numa extensa carta à enteada revive o tempo de provação.
No centro do relato estão seu meio-irmão, Lev, preso no mesmo campo, e Zoya, dona dos atributos físicos mais disputados de Moscou. Feio, gago, pacifista, Lev é o antípoda do narrador, cuja índole pragmática e violenta mostra-se determinante para a sobrevivência de ambos no gulag. Foi ao mais frágil, contudo, que Zoya preferiu entregar-se definitivamente e, depois de anos presos, é ele quem ela vai visitar na Casa de Encontros, como era chamado o local reservado para visitas íntimas. Os efeitos desse reencontro sobre os três personagens são decisivos - e é de seus desdobramentos que trata este livro.
Os pormenores da vida no gulag sobrepõem-se às linhas gerais do terrorismo de Estado, e o panorama sociológico dá lugar aos dados da observação meticulosa do narrador: o périplo de um oficial sem mãos para acender um cigarro, os códigos tácitos entre os prisioneiros, os laivos de solidariedade fraterna, a exaltação às formas femininas. Em foco estão as contradições de um sujeito capaz de naturalizar o ambiente de opressão ao redor - e um triângulo amoroso em luta para se constituir.

CIDADE E OS CACHORROS
Mario Vargas Llosa
Objetiva
Romance peruano
R$ 43,90
Romance que revelou ao mundo o talento literário de Mario Vargas Llosa no início dos anos 60, A Cidade e os Cachorros é considerado hoje um clássico da literatura latino-americana. História de fundo autobiográfico, sua história se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes – experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.
Vindos de todos os pontos do Peru, a maioria de origem humilde, com seus próprios problemas familiares e inseguranças, os jovens internos retratados neste romance são obrigados a sobreviver em meio a um ambiente brutal e hostil, onde a justiça quase nunca prevalece e os superiores, apesar de rígidos com a disciplina, mal sabem o que ocorre nos alojamentos.
Seus diferentes relatos compõem uma história perturbadora. Para compô-la, Vargas Llosa desenvolveu uma narrativa em que o passado se entrelaça ao presente e os dramas de seus personagens são descritos de diferentes pontos de vista.



HOMENS E NÃO
Elio Vittorini
Tradução: Maria Helena Arrigucci
Texto de orelha: Davi Arrigucci Jr.
Romance italiano
R$ 40,00
Elio Vittorini (1908-1966) é um dos maiores escritores da literatura italiana ao lado de nomes como Italo Calvino e Natalia Ginzburg. Sempre muito engajado politicamente, esse siciliano de Siracusa lutou arduamente conta o fascismo na Itália.
Esta obra é provavelmente o primeiro romance da Resistência e testemunha a tentativa do autor de conciliar a urgência da realidade, de ater-se aos fatos para recontar a luta cruel e fatal, e - ao mesmo tempo - investigar as almas com paixão, com uma visada de poeta.
A invenção do "espectro-escritor", que interrompe a narrativa e tece comentários em texto em itálico, no interior dos capítulos, constitui um espaço de meditação lírica semelhante aos coros da tragédia grega.
No livro, o leitor acompanha os passos do protagonista Ene 2 em sua missão de liderar um comando partigiano na Milão ocupada pelos nazistas, durante o inverno de 1944.
Vittorini também escreveu Conversa na Sicília (Cosac Naify, 2002), outro livro que registra sua aversão ao fascismo e tornou-se uma das grandes obras-primas da literatura italiana no século XX.


TODAS AS COSMICÔMICAS
Italo Calvino
Tradução: Roberta Barni, Ivo Barroso
Cia das Letras
Literatura italiana
R$46,00
Todas as cosmicômicas resulta da reunião de dois livros que Italo Calvino publicou na década de 1960: As cosmicômicas (1965; Companhia das Letras, 1992) e T = 0 (1967). São narrativas que começam com um enunciado científico (ou pseudocientífico) sobre as origens do universo e dos planetas e outros temas do passado cósmico remoto para dar, em seguida, a palavra ao personagem central de todas elas, que tem o palindrômico e impronunciável nome de Qfwfq. Ele é testemunha ocular da história de bilhões de anos do universo, presente desde o momento do big bang, onde tudo estava reunido num único ponto e a falta de espaço era absolutamente incômoda, e que assiste angustiado ao afastamento das galáxias, sofre grandes paixões na época em que a Lua se distanciava da Terra, joga bocha com átomos, sente ciúmes enquanto cai no vácuo, é expelido por uma erupção do Vesúvio e vive a patética experiência de ser o último dinossauro vivo.
O livro inclui outros textos que Calvino chamou de "contos dedutivos", nos quais o narrador parece mais interessado em examinar as ramificações de uma idéia do que em contar uma história, desenvolvendo uma espécie de raciocínio obsessivo, paranóico e labiríntico não estranho a certos textos de Kafka. O conjunto destes textos reafirma mais uma vez a posição de Calvino como um dos grandes exploradores dos novos caminhos da narrativa e um dos maiores clássicos do século XX.


MARCO GIANNOTTI
Nelson Brissac Peixoto (org.)
Textos: Lorenzo Mammì, Alberto Tassinari, Vinicius de Figueiredo, Gilles-Gaston Granger, Tadeu Chiarelli, Paulo Sergio Duarte e Luiz Costa Lima
R$65,00
Este livro, organizado por Nelson Brissac Peixoto, apresenta séries de pinturas de Marco Giannotti, inclusive a mais recente delas, Passagens, que sintetiza as questões essenciais que sempre acompanharam o artista: a força construtiva da cor e o papel da pintura na configuração da espacialidade contemporânea.
As imagens da publicação percorrem a produção de Giannotti desde 1980 - época na qual ele pintou seus primeiros quadros - e demonstram, nas palavras do organizador do volume, "o contínuo e persistente embate de um dos artistas mais coerentes de sua geração com o poder e os limites da pintura".
Além da apresentação de Brissac em um caderno especial, impresso em papel kraft e intercalado entre as imagens das obras, a edição conta com textos de importantes autores, entre críticos e historiadores da arte.



GOYA
Robert Hughes
Tradução: Tuca Magalhães
Cia das Letras
Crítica de arte
R$ 85,00

Autor de livros consagrados sobre a história da Austrália, da cidade de Barcelona e sobre o movimento da arte moderna, o crítico de arte Robert Hughes volta agora seu olhar para uma das figuras mais fortes e enigmáticas dos anais da arte: Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828).
Hughes narra a vida do pintor espanhol, entrelaçando-a com as diferentes fases de sua produção artística, contra o pano de fundo do contexto histórico em que viveu: a transição do século XVIII para o XIX. A Espanha ainda era um grande império colonial e resistia, com a ajuda da Inquisição, às idéias iluministas e libertárias vindas de outros países da Europa, sobretudo da França.
A análise iluminadora de Hughes põe diante do leitor, em toda a sua formidável estatura, o homem e o artista, expondo as estratégias de Goya para manter a liberdade de criação numa época intensamente repressiva. A obra é analisada passo a passo, dos primeiros trabalhos comissionados pela Igreja, passando pela extensa produção do pintor oficial da Corte, até as obscuras e enigmáticas Pinturas negras, as últimas do artista isolado pela surdez.
Emerge um artista complexo: o funcionário público servil e dedicado à família real (que apesar disso teve de fugir para o exílio no fim da vida); o mestre dos retratos; o observador meticuloso de costumes, gestos e classes; o pintor satírico e indignado, crítico da guerra, da injustiça e da Inquisição; e o amargo cronista da loucura e da morte violenta.
Biografia interpretativa e épico cultural, Goya articula as múltiplas facetas do pintor e seu contexto histórico, mostrando um artista de transição que soube assimilar as lições dos neoclássicos, dos românticos e dos retratistas ingleses e desenvolver um estilo próprio e surpreendente. Nas palavras de Hughes, "uma verdadeira figura de articulação, o último do que estava acontecendo e o primeiro do que estava por vir".



Vidas de César
Suetônio/Plutarco
Ed. Estação Liberdade
História
Trad. e notas:
Antonio da Silveira Mendonça
Ísis Borges da Fonseca
Português – Latim – Grego
R$ 41,00
'Vidas de César' nos traz duas biografias do imperador romano escritas por dois autores da Antigüidade. Reunidas num mesmo volume e em edição trilíngüe - português, grego e latim -, o leitor tem agora a oportunidade de conhecer uma das figuras mais controversas da História. O primeiro texto, 'O divino Júlio', é de autoria do romano Suetônio. A partir de uma minuciosa consulta a documentos, o autor aborda sem disfarces aspectos mundanos da vida de um imperador tornado quase uma divindade. Ao contrapor homem e estadista, esquiva-se de falsos moralismos e evita os perigos da bajulação numa época marcada pelo surgimento de lideranças despóticas. Já a obra 'César', do grego Plutarco, faz uma abordagem mais filosófica do que propriamente histórica. Em seu texto há a mesma preocupação com as fontes, no entanto, nota-se um grande esforço de observação de um universo alheio ao pensamento helenista.



Em louvor da sombra
Junichiro Tanizaki
Cia das Letras
Estética japonesa
R$ 27,00
Neste ensaio, escrito em 1933, Junichiro Tanizaki discorre acerca da arquitetura, do teatro, da comida e do vestuário tradicionais do Japão, abordando inclusive o tom de pele dos japoneses. Ao sugerir uma concepção de beleza própria dos orientais, Tanizaki revela a predileção de sua cultura pela penumbra, pelo mistério e pela profundidade. Escrito num estilo ao mesmo tempo coloquial e elegante, o ensaio analisa os aspectos característicos da cultura nipônica, pressionados pela modernidade tecnológica e pela influência dos hábitos ocidentais na sociedade japonesa. Tanizaki critica a iluminação artificial em restaurantes, teatros e hotéis. Para o autor, a beleza do teatro Nô também se perde num palco iluminado por refletores. Segundo ele, a maquiagem tradicional das mulheres japonesas realçava a beleza feminina na penumbra, e a culinária nacional perde apetência se servida em pratos claros e não em utensílios de laca. Tanizaki empreende uma meditação que se revela uma verdadeira teoria estética em torno da concepção japonesa do belo.

10 fevereiro 2007

Um livro que toda pessoa deveria ter em casa


Cinco Séculos a Papel e Tinta
Pedro Corrêa do Lago
Edições Afrontamento
287 págs.
Capa dura, encadernada com sobrecapa
Formato grande, livro de arte, com fotografias e ilustrações
Papel couché
R$ 190,00 (parcelamos em até 3 vezes)

Cartas, manuscritos, desenhos, dedicatórias, fotografias assinadas, os documentos reproduzidos neste livro revelam centenas de episódios da maior parte das personalidades mais conhecidas dos últimos cinco séculos: dos Reis Católicos aos Beatles, Rafael, Casanova, Lautrec, Mata Hari, Proust, Rasputin, Einstein, Gandhi, Pessoa, Disney ou Garbo. Apresentadas de forma original, o leitor descobrirá, como se as tivesse entre mãos, as cartas de Freud a sua mãe, de Napoleão a Talleyrand, de Flaubert a Hugo ou ainda de Trotski a Frida Kahlo.

Encomende este livro pelo email ratodelivraria@uol.com.br, ou pelo fone 11 3266-4476.
Consulte entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.

Pra quem não conhece Rosalía de Castro


FOLHAS NOVAS - 1880
1 - VAGUIDADES

IV
direis destes versos, e é verdade,
que tem estranha insolita harmonia,
que neles as ideias brilham palidas
qual errantes faiscas
qu´estalam por instantes,
que logo desaparecem,
que s'eassemelham à neblina incerta
que volteja no fundo dos quintais,
e ao sussuro monotono dos pinheiros
do beira-mar bravio.

eu apenas vos direi que os meus cantares
saem assim confusos d'alma minha,
como sai profundos carvalhais
ao comecar o dia,
rumor que nao se sabe
se é brincadeira das brisas,
se sao beijos de flores,
se sao agrestes, misteriosas harmonias
que neste mundo triste
o caminho do ceu buscam perdidas.

Versos extraídos do livro "A Rosa dos Claustros".

A Rosa dos Claustros
Rosalía de Castro
Ed. Crisálida
Poesia galela
Ed. bilíngue
R$ 28,00

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16 janeiro 2007

Dois livros pra Rato de Livraria nenhum botar defeito


Raízes históricas do Conto maravilhoso
Vladimir Propp
Crítica literária
Ed. Martins Fontes
Propp define os estudos do folclore como uma disciplina histórica, mas lhes aplica uma variedade de métodos que lhe permite chegar a uma visão de conjunto das narrativas folclóricas e mitos.
R$ 65,10

Afeto autoritário
Renato Janine Ribeiro
Sociologia - televisão
Ateliê Editorial
Ensaios sobre televisão, ética e democracia escritos para a revista Bravo!, entre outros veículos da grande imprensa.
De R$ 27,00 por R$ 24,00

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04 janeiro 2007

Começar o ano com Manuel Bandeira


ÁGUA-FORTE
O preto no branco,
O pente na pele:
Pássaro espalmado
No céu quase branco.

Em meio do pente,
A concha bivalve
Num mar de escarlata.
Concha, rosa ou tâmara?

No escuro recesso,
As fontes da vida
A sangrar inúteis
Por duas feridas.

Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.


Este poema foi extraído do livro "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", de Manuel Bandeira, editado recentemente pela CosacNaify. Capa dura. 96 págs. Inclui CD com os poemas. R$ 55,00.

Caso queira encomendar este livro, ligue para 11 3266-4476, ou mande um email para ratodelivraria@uol.com.br

04 novembro 2006

Literaturas africanas de língua portuguesa

Foi lançado o livro Marcas da diferença, que trata das literaturas africanas de língua portuguesa.
Com cuidado editorial primoroso da Alameda, a obra traz textos de renomados estudiosos da matéria, como Rita Chaves e Tânia Macedo, que também organizaram o livro.
Os ensaios põem em relevo características essenciais da produção de escritores africanos e têm como eixo os contextos resultantes da longa dominação colonial.
São abordados os diferentes gêneros literários a partir da ótica de estudiosos de Angola, França, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Marcas da diferença
Rita Chaves
Tania Macedo
Alameda Editorial
372 págs.
R$ 58,00


Em tempo: foi lançado recentemente o livro Luuanda - Estórias, de José Luandino Vieira, pela Companhia das Letras.

A obra é composta por três contos que trazem de volta ao leitor brasileiro uma das grandes vozes da literatura africana de expressão portuguesa. Em decorrência da luta contra a dominação portuguesa em Angola, José Luandino Vieira, português de nascimento, escreveu boa parte de sua obra na prisão. Luuanda, de 1963, integra uma obra narrativa que, em 2006, foi agraciada com o Prêmio Camões. O autor, alegando "razões pessoais e íntimas", se recusou a recebê-lo.

Luuanda - Estórias
José Luandino Vieira
Companhia das Letras
138 págs.
R$ 34,00

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Entrega gratuita no centro expandido de São Paulo.

31 outubro 2006

Arte na Pinacoteca e na Rato


León Ferrari
Retrospectiva. Obras 1954-2
006
Andréa Giunta (ed.)
Ed. CosacNaify
464 págs.
Arte
R$ 120,00

Este livro foi realizado por ocasião da retrospectiva de León Ferrari no Centro Cultural Recoleta, em novembro de 2004, com o apoio do Malba, Buenos Aires. A versão brasileira, lançada durante a bienal de arte, e concomitante à exposição do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo (outubro a novembro de 2006), foi ampliada com um levantamento exaustivo das mais de quinhentas obras produzidas durante os catorze anos que o artista viveu em São Paulo, e ainda com a repercussão crítica da polêmica gerada pela exposição no Recoleta.

Edição bilíngüe

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Entrega gratuita para o centro expandido de São Paulo.

18 outubro 2006

Literatura Japonesa Contemporânea



Mil Tsurus
Yasunari Kawabata
Romance japonês
171 págs.
29,80
A cerimônia do chá é utilizada neste livro para ambientar a história de Kikuji Mitani, um jovem que reencontra duas das ex-amantes de seu falecido pai e que subitamente se vê envolvido com elas. O livro se passa em plena reconstrução do Japão devastado pela Segunda Guerra, em meio à ocidentalização de seus valores. Kawabata mais uma vez esbanja profundo conhecimento da antiga cultura japonesa e enaltece a arte oriental, representada nas cerâmicas seculares do ritual do chá e nas alegorias singelas dos elementos tradicionais de seu país.

Kyoto
Yasunari Kawabata
Romance japonês
256 págs.
37,50
A obra retrata a história de duas irmãs gêmeas, que foram separadas quando bebês, durante o período do pós-guerra, e criadas em ambientes hierarquicamente distintos. Após um reencontro imprevisto das irmãs, a obra descreve um singelo processo de reaproximação entre as duas. O livro tem como pano de fundo a vida dos comerciantes de quimonos, que entraram em falência devido ao período pós-guerra. Fabuloso retrato da antiga capital imperial do Japão, sinuoso como as ruelas da região têxtil de Nishijin e delicado como as estampas florais dos quimonos tradicionais, o livro traz a marca de um autor considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa contemporânea, e também ganhador do Nobel.

encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou por email ratodelivraria@uol.com.br

13 outubro 2006

Dostoiévski como poucos já viram


A senhoria

Fiódor Dostoiévski

Em 20 de outubro de 1846, Dostoiévski escrevia a seu irmão: "Todos os meus planos foram por água abaixo e ruíram por si mesmos... Abandonei tudo [que estava escrevendo], já que isso não passava de uma repetição de coisas velhas. Agora idéias mais originais, vivas e luminosas brotam de mim no papel... Estou escrevendo outra novela, e o trabalho vai de vento em popa, está saindo com facilidade e frescor, como nunca..."
A novela a que Dostoiévski se referia com tamanho entusiasmo era A senhoria, que viria à luz no ano seguinte. Ao contrário de suas expectativas, entretanto, Bielínski – o mais influente crítico literário da época – tratou a obra como um disparate, fruto da "fantasia mirabolante" do autor.
De fato, as inovações que Dostoiévski introduziu com relação ao foco narrativo – bem como a trama que liga o intelectual e sonhador Ordínov à figura misteriosa de Katierina – permaneceram totalmente incompreendidas em seu tempo. Só no século XX, uma nova geração de leitores iria reconhecer neste livro, escrito quando o autor tinha 26 anos, uma obra-prima que antecipa Memórias do subsolo (1864) e seus grandes romances da maturidade.
Pela primeira vez em tradução direta do russo, A senhoria conta, nesta edição, com 14 xilogravuras de Paulo Penna e um esclarecedor posfácio de Fátima Bianchi, no qual a tradutora reconstitui o conturbado ambiente literário da época, destacando a atualidade da contribuição de Dostoiévski.

"Uma vez conquistado pelo clima intrincado e movediço da narrativa, o leitor percebe que está diante de uma obra-prima." (Paulo Bezerra)

Tradução, posfácio e notas de Fátima Bianchi
Gravuras de Paulo Camillo Penna
144 p.
De R$ 29,00 por R$ 24,65

Encomendas pelo fone 11 3266-4476 ou pelo e-mail ratodelivraria@uol.com.br

oferta válida até 21 de outubro, ou enquanto durarem nossos estoques

05 outubro 2006

Luiz Ruffato no Território da Rato


“Como Vanim acabou ajduntando os trapos com a Zazá, ninguém não sabe, em tudo diferentes. Ele, andejo, violão sob o braço, engraçando-se para os lados do mulherio, despreconceituoso: mulher-dama, menina-moça, respeitável senhora casada; empregada da fábrica, estudante do Colégio das Irmãs, dona-de-casa; feia, bonita, arremediada. Em súmula, Vanim, o garganta galanteador, paixonou com a Zazá, direita criatura...”

Este trecho é o início de um dos capítulos finais de O Mundo Inimigo, segundo volume de Inferno Provisório, um romance instigante, de Luiz Ruffato. A obra é finalista do Prêmio Portugal Telecom 2006.

Dia 10 de outubro, próxima terça-feira, às 19h30, o escritor participará de um bate-papo com os companheiros de arte Moacyr Godoy Moreira e David Oscar Vaz, no Território Nacional na Rato de Livraria.

Não deixe de prestigiar. Entrada franca.

O Mundo Inimigo
Volume II de Inferno Provisório
Luiz Ruffato
Record
R$ 25,90

Mamma, Son Tanto Felice
Volume I de Inferno Provisório
Luiz Ruffato
Record
R$ 25,90

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