03 Abril 2007

 

VITRINE DE LANÇAMENTOS RATO DE LIVRARIA

O PASSADO
Alan Pauls
Cosac Naify
Romance argentino
R$ 55,00
O fim do amor é o tema deste romance do argentino Alan Pauls (1959), "um dos melhores escritores latino-americanos vivos", nas palavras de outro autor latino-americano, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003).
Depois de doze anos de casamento, Rímini e Sofía têm de encarar a separação e aprender a lidar com o que ficou para trás. O que fazer com as centenas de fotos - momentos congelados, mas ainda pulsantes, de uma história viva - que jazem em duas grandes caixas de papelão? Mas o passado não passa e torna-se um pesadelo, um incômodo, uma aflição.
Os diversos filmes evocados no livro, como Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, e A história de Adèle H, de François Truffaut, inspiraram o projeto gráfico que por meio de fotografias de cenas e de objetos nos remete às lembranças do casal protagonista.
Para o escritor Reinaldo Moraes, autor da quarta capa do livro, a prosa de Pauls que faz "o tempo recuar ou se dispersar em outras dimensões, numa operação ao mesmo tempo lúdica e rigorosa, lembra um Proust que tivesse lido Cortázar".
Em 2003, a obra recebeu o prestigioso prêmio Herralde concedido para livros de ficção em língua espanhola.

CASA DE ENCONTROS
Martin Amis
Tradução: Rubens Figueiredo
Cia das Letras
Romance inglês
R$ 39,50
Em Casa de Encontros, Martin Amis se vale de recursos ficcionais para revelar dimensões obscuras do totalitarismo. O livro narra o acerto de contas de um velho russo com um passado que ainda o assombra. Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, ele esteve confinado durante mais de dez anos num campo de trabalhos forçados na Sibéria, acusado de traição política. Quase cinqüenta anos depois, rico e repatriado nos Estados Unidos, ele volta ao país de origem e numa extensa carta à enteada revive o tempo de provação.
No centro do relato estão seu meio-irmão, Lev, preso no mesmo campo, e Zoya, dona dos atributos físicos mais disputados de Moscou. Feio, gago, pacifista, Lev é o antípoda do narrador, cuja índole pragmática e violenta mostra-se determinante para a sobrevivência de ambos no gulag. Foi ao mais frágil, contudo, que Zoya preferiu entregar-se definitivamente e, depois de anos presos, é ele quem ela vai visitar na Casa de Encontros, como era chamado o local reservado para visitas íntimas. Os efeitos desse reencontro sobre os três personagens são decisivos - e é de seus desdobramentos que trata este livro.
Os pormenores da vida no gulag sobrepõem-se às linhas gerais do terrorismo de Estado, e o panorama sociológico dá lugar aos dados da observação meticulosa do narrador: o périplo de um oficial sem mãos para acender um cigarro, os códigos tácitos entre os prisioneiros, os laivos de solidariedade fraterna, a exaltação às formas femininas. Em foco estão as contradições de um sujeito capaz de naturalizar o ambiente de opressão ao redor - e um triângulo amoroso em luta para se constituir.

CIDADE E OS CACHORROS
Mario Vargas Llosa
Objetiva
Romance peruano
R$ 43,90
Romance que revelou ao mundo o talento literário de Mario Vargas Llosa no início dos anos 60, A Cidade e os Cachorros é considerado hoje um clássico da literatura latino-americana. História de fundo autobiográfico, sua história se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes – experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.
Vindos de todos os pontos do Peru, a maioria de origem humilde, com seus próprios problemas familiares e inseguranças, os jovens internos retratados neste romance são obrigados a sobreviver em meio a um ambiente brutal e hostil, onde a justiça quase nunca prevalece e os superiores, apesar de rígidos com a disciplina, mal sabem o que ocorre nos alojamentos.
Seus diferentes relatos compõem uma história perturbadora. Para compô-la, Vargas Llosa desenvolveu uma narrativa em que o passado se entrelaça ao presente e os dramas de seus personagens são descritos de diferentes pontos de vista.



HOMENS E NÃO
Elio Vittorini
Tradução: Maria Helena Arrigucci
Texto de orelha: Davi Arrigucci Jr.
Romance italiano
R$ 40,00
Elio Vittorini (1908-1966) é um dos maiores escritores da literatura italiana ao lado de nomes como Italo Calvino e Natalia Ginzburg. Sempre muito engajado politicamente, esse siciliano de Siracusa lutou arduamente conta o fascismo na Itália.
Esta obra é provavelmente o primeiro romance da Resistência e testemunha a tentativa do autor de conciliar a urgência da realidade, de ater-se aos fatos para recontar a luta cruel e fatal, e - ao mesmo tempo - investigar as almas com paixão, com uma visada de poeta.
A invenção do "espectro-escritor", que interrompe a narrativa e tece comentários em texto em itálico, no interior dos capítulos, constitui um espaço de meditação lírica semelhante aos coros da tragédia grega.
No livro, o leitor acompanha os passos do protagonista Ene 2 em sua missão de liderar um comando partigiano na Milão ocupada pelos nazistas, durante o inverno de 1944.
Vittorini também escreveu Conversa na Sicília (Cosac Naify, 2002), outro livro que registra sua aversão ao fascismo e tornou-se uma das grandes obras-primas da literatura italiana no século XX.


TODAS AS COSMICÔMICAS
Italo Calvino
Tradução: Roberta Barni, Ivo Barroso
Cia das Letras
Literatura italiana
R$46,00
Todas as cosmicômicas resulta da reunião de dois livros que Italo Calvino publicou na década de 1960: As cosmicômicas (1965; Companhia das Letras, 1992) e T = 0 (1967). São narrativas que começam com um enunciado científico (ou pseudocientífico) sobre as origens do universo e dos planetas e outros temas do passado cósmico remoto para dar, em seguida, a palavra ao personagem central de todas elas, que tem o palindrômico e impronunciável nome de Qfwfq. Ele é testemunha ocular da história de bilhões de anos do universo, presente desde o momento do big bang, onde tudo estava reunido num único ponto e a falta de espaço era absolutamente incômoda, e que assiste angustiado ao afastamento das galáxias, sofre grandes paixões na época em que a Lua se distanciava da Terra, joga bocha com átomos, sente ciúmes enquanto cai no vácuo, é expelido por uma erupção do Vesúvio e vive a patética experiência de ser o último dinossauro vivo.
O livro inclui outros textos que Calvino chamou de "contos dedutivos", nos quais o narrador parece mais interessado em examinar as ramificações de uma idéia do que em contar uma história, desenvolvendo uma espécie de raciocínio obsessivo, paranóico e labiríntico não estranho a certos textos de Kafka. O conjunto destes textos reafirma mais uma vez a posição de Calvino como um dos grandes exploradores dos novos caminhos da narrativa e um dos maiores clássicos do século XX.


MARCO GIANNOTTI
Nelson Brissac Peixoto (org.)
Textos: Lorenzo Mammì, Alberto Tassinari, Vinicius de Figueiredo, Gilles-Gaston Granger, Tadeu Chiarelli, Paulo Sergio Duarte e Luiz Costa Lima
R$65,00
Este livro, organizado por Nelson Brissac Peixoto, apresenta séries de pinturas de Marco Giannotti, inclusive a mais recente delas, Passagens, que sintetiza as questões essenciais que sempre acompanharam o artista: a força construtiva da cor e o papel da pintura na configuração da espacialidade contemporânea.
As imagens da publicação percorrem a produção de Giannotti desde 1980 - época na qual ele pintou seus primeiros quadros - e demonstram, nas palavras do organizador do volume, "o contínuo e persistente embate de um dos artistas mais coerentes de sua geração com o poder e os limites da pintura".
Além da apresentação de Brissac em um caderno especial, impresso em papel kraft e intercalado entre as imagens das obras, a edição conta com textos de importantes autores, entre críticos e historiadores da arte.



GOYA
Robert Hughes
Tradução: Tuca Magalhães
Cia das Letras
Crítica de arte
R$ 85,00

Autor de livros consagrados sobre a história da Austrália, da cidade de Barcelona e sobre o movimento da arte moderna, o crítico de arte Robert Hughes volta agora seu olhar para uma das figuras mais fortes e enigmáticas dos anais da arte: Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828).
Hughes narra a vida do pintor espanhol, entrelaçando-a com as diferentes fases de sua produção artística, contra o pano de fundo do contexto histórico em que viveu: a transição do século XVIII para o XIX. A Espanha ainda era um grande império colonial e resistia, com a ajuda da Inquisição, às idéias iluministas e libertárias vindas de outros países da Europa, sobretudo da França.
A análise iluminadora de Hughes põe diante do leitor, em toda a sua formidável estatura, o homem e o artista, expondo as estratégias de Goya para manter a liberdade de criação numa época intensamente repressiva. A obra é analisada passo a passo, dos primeiros trabalhos comissionados pela Igreja, passando pela extensa produção do pintor oficial da Corte, até as obscuras e enigmáticas Pinturas negras, as últimas do artista isolado pela surdez.
Emerge um artista complexo: o funcionário público servil e dedicado à família real (que apesar disso teve de fugir para o exílio no fim da vida); o mestre dos retratos; o observador meticuloso de costumes, gestos e classes; o pintor satírico e indignado, crítico da guerra, da injustiça e da Inquisição; e o amargo cronista da loucura e da morte violenta.
Biografia interpretativa e épico cultural, Goya articula as múltiplas facetas do pintor e seu contexto histórico, mostrando um artista de transição que soube assimilar as lições dos neoclássicos, dos românticos e dos retratistas ingleses e desenvolver um estilo próprio e surpreendente. Nas palavras de Hughes, "uma verdadeira figura de articulação, o último do que estava acontecendo e o primeiro do que estava por vir".



Vidas de César
Suetônio/Plutarco
Ed. Estação Liberdade
História
Trad. e notas:
Antonio da Silveira Mendonça
Ísis Borges da Fonseca
Português – Latim – Grego
R$ 41,00
'Vidas de César' nos traz duas biografias do imperador romano escritas por dois autores da Antigüidade. Reunidas num mesmo volume e em edição trilíngüe - português, grego e latim -, o leitor tem agora a oportunidade de conhecer uma das figuras mais controversas da História. O primeiro texto, 'O divino Júlio', é de autoria do romano Suetônio. A partir de uma minuciosa consulta a documentos, o autor aborda sem disfarces aspectos mundanos da vida de um imperador tornado quase uma divindade. Ao contrapor homem e estadista, esquiva-se de falsos moralismos e evita os perigos da bajulação numa época marcada pelo surgimento de lideranças despóticas. Já a obra 'César', do grego Plutarco, faz uma abordagem mais filosófica do que propriamente histórica. Em seu texto há a mesma preocupação com as fontes, no entanto, nota-se um grande esforço de observação de um universo alheio ao pensamento helenista.



Em louvor da sombra
Junichiro Tanizaki
Cia das Letras
Estética japonesa
R$ 27,00
Neste ensaio, escrito em 1933, Junichiro Tanizaki discorre acerca da arquitetura, do teatro, da comida e do vestuário tradicionais do Japão, abordando inclusive o tom de pele dos japoneses. Ao sugerir uma concepção de beleza própria dos orientais, Tanizaki revela a predileção de sua cultura pela penumbra, pelo mistério e pela profundidade. Escrito num estilo ao mesmo tempo coloquial e elegante, o ensaio analisa os aspectos característicos da cultura nipônica, pressionados pela modernidade tecnológica e pela influência dos hábitos ocidentais na sociedade japonesa. Tanizaki critica a iluminação artificial em restaurantes, teatros e hotéis. Para o autor, a beleza do teatro Nô também se perde num palco iluminado por refletores. Segundo ele, a maquiagem tradicional das mulheres japonesas realçava a beleza feminina na penumbra, e a culinária nacional perde apetência se servida em pratos claros e não em utensílios de laca. Tanizaki empreende uma meditação que se revela uma verdadeira teoria estética em torno da concepção japonesa do belo.

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